Africa Consulting

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Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais

UBUNTU – SER COM O OUTRO: DIA DA ÁFRICA!

“O homem não nasce “eu”, ele nasce “nós”. Quando cheguei, estava nas mãos deles; quando partir será também nas mãos deles”.

 

 

Imagem Silvia Cosimini - Criança Himba

 

 

 

 

 

 

Em 25 de maio de 1963, trinta Estados Africanos independentes fundaram a Organização da Unidade Africana (OUA) em Addis Abeba, capital da Etiópia. Em 2011 passou a ser chamada de União Africana. O objetivo principal dessa organização era “promover a unidade do continente, defender a soberania e a integridade territorial dos seus membros”. Em 1972 a Organização das Nações Unidas reconheceu a relevância dessa Instituição e decretou o dia 25 de maio como o Dia da África, simbolizando a luta dos povos do continente africano pela sua independência.

o somente a data, mas a minha experiência vivendo no continente africano e me relacionando com as pessoas ao meu redor, me inspira a postar no blog nesse momento. Primeiro para deixar a homenagem da Africa Consulting ao povo que vive nessa parte do planeta e àqueles que estão, em estado de diáspora, longe de suas casas e famílias. E começo deixando aqui o meu abraço aos amigos da Africa Consulting que partilham dos nossos sonhos e utopias. Com esses eu também aprendo muito. Este será um post breve. Apenas algumas reflexões:

 

O caminho para a convivência entre as pessoas, quaisquer pessoas, é o diálogo e o respeito mútuo. Falar sobre alguém é algo muito comum e bastante falho. Há muito tempo a prática de falar sobre a África vem gerando um conhecimento equivocado sobre a história desse continente e sobre as pessoas que nele nasceram e vivem. 

 

Quando vou ao encontro do outro para, tão somente, falar sobre ele, não estou indo ao seu encontro, estou indo de encontro a ele. Porém, quando meus passos realizam o desejo de experimentar o diálogo, vou para falar com e não para falar sobre. Simples assim. Já chega de falarmos sobre as pessoas que moram no continente africano e sobre as coisas que fazem ou deixaram de fazer. Concordo com o Prof. Ki-Zerbo que nos ensinou que “Em primeiro lugar, tudo está longe de ser negativo em África: há uma vontade feroz de viver, de viver na alegria e na solidariedade com os mais fracos, o que é um seguro de vida para todo o continente”. Disso eu sou testemunha ocular.   

 

Outro aprendizado importante que venho tendo trata da compreensão de que o desenvolvimento supõe uma mudança pessoal e coletiva nos espaços de relacionamento que resulta em positividade para todos. E, mais, o desenvolvimento deve ser uma experiência que faz com que a pessoa seja melhor do jeito que ela quer ser e não transformando a pessoa naquilo que ela não é. Não nos esqueçamos do perigo da “pele negra, máscaras brancas”. Se alguém for vitima sofredora do desenvolvimento, certamente algo está muito errado. Por isso aproveito para citar Musa Soro quando falava sobre o Prof. Ki-Zerbo: “Se o professor Joseph Ki-Zerbo se lançou nos estudos de história, é realmente porque, para ele, o estudo da história é a primeira coisa a fazer-se para devolver à África a sua identidade perdida e a sua dignidade ultrajada”.

 

E, por terceiro, reflito sobre aprender melhor a respeito das práticas da cooperação internacional. Tratar a cooperação como sinônimo do antigo termo “ajuda humanitária” parece um equivoco. Acaso o outro que “necessita” de ajuda humanitária não é humano? Temos que repensar sobre o sentido de ajuda porque a história já revelou bons desastres provocados ao continente africano e aos seus povos. Cooperação é parceria na responsabilidade conjunta com os outros, integrados, sujeitos ativos, autônomos para uma ação que possa gerar trabalho e renda e, não somente acúmulo unilateral de riquezas.

 

Por fim, reproduzo aqui, uma pequena parte do discurso de posse de Nelson Mandela quando foi eleito presidente da África do Sul que resume meus sentimentos nessa hora: 

 

“Nosso medo mais profundo não é o de que sejamos incapazes. Nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos além da conta. É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora. Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser Brilhante, Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso? Na realidade, quem é você para não ser tudo isso? Você é filho de Deus. Se fazer pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de iluminado em se encolher para que os outros não se sintam inseguros ao seu lado. Nascemos para brilhar como as crianças o fazem. Nascemos todos para manifestar a glória do universo que está dentro de nós. Não está apenas em alguns de nós: mas em todos nós. E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo. E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, liberta os outros."  (Nelson Mandela - discurso de posse da presidência da África do Sul, 1994)  

 

Saudações a todos que comemoram o Dia da África!

 

Sempre estaremos esperando seu comentário e sua participação.

Forte abraço!  

 

Profª Rita Barros

(Diretora da Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais).

 

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