Africa Consulting

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Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais

ESTUDOS AFRICANOS: O QUE VOCÊ SABE SOBRE ISSO?

 

 

Prof. Paulin J. Hountondji, filósofo do Benin.

 

 

  "Quando falamos de estudos africanos, normalmente estamos a referir-nos não apenas a uma disciplina, mas a todo um leque de disciplinas cujo objeto de estudo é África. Entre estas incluem-se, frequentemente, disciplinas como a “história africana”, “antropologia e sociologia africanas”, “linguística africana”, “política africana”, “filosofia africana”, etc. Torna-se inevitável, por isso, colocar uma primeira questão: existirá algum tipo de unidade entre estas disciplinas?... Todavia, pelo menos uma outra questão se coloca: quão africanos são os chamados estudos africanos? Por exemplo, por história africana entende-se normalmente o discurso histórico sobre África, e não necessariamente um discurso histórico proveniente de África ou produzido por africanos. Em termos gramaticais, referimo-nos à história de África: historia Africae em Latim, em que Africae, genitivo de Africa, seria um genitivo objectivo, e não um genitivo subjectivo. Na mesma ordem de ideias, a sociologia ou a antropologia africanas significam a sociologia ou antropologia de África enquanto genitivo objectivo, ou seja, um discurso sociológico ou antropológico sobre África e não uma tradição sociológica ou antropológica desenvolvida por africanos em África”. Prof. Paulin J. Hountondji, filósofo do Benin.

 

A partir da reflexão feita pelo filósofo do Benin, fica mais que evidente a necessidade dos brasileiros se lançarem na tarefa de conhecer a África e os africanos, não para se tornarem um porta-voz, mas para estabelecerem um diálogo efetivo, de amizade e conhecimento real, que possa resultar na experiência da cooperação. Esta experiência convida à capacitação profissional. Tal é a proposta da Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência que é realizada pela Africa Consulting em parceria com o Instituto Superior de Estudos Pedagógicos e a Faculdade Bethencourt da Silva, no Rio de Janeiro.

 

A grade curricular do curso tem por objetivo contemplar uma formação acadêmica e profissional que privilegie um conhecimento genuinamente africano para dele aprendermos, numa ótica que se diferencie daqueles saberes puramente ocidentais que foram, por muito tempo, o discurso oficial sobre a história da África e seus povos.

 

O Blog da Africa Consulting conversou com alguns alunos do curso e, desde já, agradecemos pelos depoimentos. Veja abaixo:

 

Dra. Lourdes Maria Pires, Advogada e Jornalista

 

Dra. Lourdes Maria Pires, advogada e jornalista, nos contou que sempre foi “apaixonada pelo Continente Africano, seu povo, sua história, seus costumes”. No momento ela está concluindo sua monografia de final de curso com o tema O Império Português e a Questão Colonial em África.

 

AC: Por que você procurou a Pós-graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?

LM: Por querer adquirir conhecimentos sobre Estudos Africanos. Um belo dia, conversando com um casal de amigos sobre o meu interesse pelo Continente, para a minha surpresa, eles estavam começando a Pós no ISEP, logo pedi o endereço, fui até lá, tive as devidas informações e dias depois me matriculei e comecei a estudar.

AC: O que poderia nos dizer sobre a sua experiência de aprendizado durante o curso?

LM: É um rico aprendizado de uma grandeza imensurável.

AC: Que conselho você daria àqueles que estão demonstrando interesse por esse curso?

LM: Não percam a oportunidade por ser um Curso de Excelência.

 

 

Reinaldo Pitzer, Professor de História

 

Reinaldo Rocha Pitzer, Professor de História e Recepcionista Bilingue no Jardim Botânico da Cidade do Rio de Janeiro, nos contou sua experiência sobre o processo de conhecer mais sobre o continente africano:

AC: Como surgiu seu interesse pelo continente africano?

RP: Antes mesmo de pensar em cursar história, meu irmão mais velho, então seguindo este curso, me pediu auxílio em um trabalho que estava fazendo, estagiando com o historiador João Fragoso. Este trabalho pedia a leitura de várias cópias Xerox de inventários do século XIX sobre os bens de fazendeiros possuidores de escravos. O assunto escravidão e logo África e suas relações com a história de nosso país desde então ficou bem vivo para mim. Quando anos depois cursei a faculdade de história, havia uma aula de África que, como todos os alunos concordavam, era mesmo muito fraca. Percebíamos que deveria haver muito mais do que o magro conteúdo que nos era passado. Em meu último período fui assistente de pesquisa do professor José Jorge Siqueira, que então trabalhava no projeto de um livro que versava sobre a história da África e terminava enfocando o preconceito velado contra os negros em nosso país que subsiste até hoje. Todo o primeiro capítulo contava uma história da África, o que foi, de toda forma, uma introdução do tema para mim. Chamava a atenção, sobretudo que o continente africano não era de modo algum aquele sinônimo de escravidão que me fora passado antes. Bem se vê, portanto, que eu sempre estive pronto para retornar a este estudo sobre a África.

AC: Por que você procurou a Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?

RP: Muito sinceramente: meu interesse imediatamente anterior tinha sido pela história da ciência médica, das doenças e etc; tendo seguido dois cursos como aluno ouvinte na Fiocruz (“Doenças e Escravidão” e “História da Saúde Pública”). Fiz a prova para o ingresso no mestrado nesta instituição e atingi uma boa nota (nove) e passei também na prova de língua estrangeira. Mas foi justamente na entrevista que não consegui boa nota, o que me impediu de atingir o número de pontos exigido. Fiquei um tanto decepcionado e, algum tempo depois, fui informado por um amigo sobre o curso de Estudos Africanos, realizado pela Africa Consulting em parceria com o ISEP/FABES. Conforme expliquei acima, eu tinha tido contatos prévios com os estudos sobre a África e assim procurei conhecer o curso, e não me decepcionei. O tema de minha monografia, tratando das doenças tropicais (especificamente as africanas) no século XIX e XX, foi uma forma que encontrei de aproveitar meus conhecimentos adquiridos na Fiocruz com os estudos sobre a África.

AC: Cite algum ponto de conteúdo que foi importante para você nesse processo.

RP: Poderia citar vários. Apreciei muito as aulas sobre o aspecto econômico da África e suas relações com todo o “primeiro mundo”, os “países do Norte”, que foram muitíssimo interessantes, esclarecedoras e surpreendentes. A maneira como as nações ricas e estabelecidas exploram o povo e as riquezas naturais do continente africano; de tal forma que, aos olhos das leis internacionais, da economia, e do aspecto puramente jurídico, faz com que elas pareçam estar “impecáveis”, apenas mascara habilmente o que moralmente seria perfeitamente condenável no mais alto grau.

Também todas as discussões em torno do autor Homi Bhabha, de que a atualidade se caracterizaria por uma generalizada ausência de representatividade política para uma expressiva maioria (entre outras), também atraiu bastante minha atenção. Todos os outros autores que desenvolvem de diferentes formas este tema, discutindo as relações sociais, aspectos “exóticos” das relações culturais, foram para mim pontos de grande interesse.

AC: Que autor lhe chamou a atenção durante o curso?

RP: Foram muitos. Mas vou citar Stuart Hall como um dos que reconheci como dos mais importantes e que eu não conhecia anteriormente. Para uma introdução ao estudo da cultura e de suas múltiplas inter-relações e complexidade, e logo, para o pleno entendimento das relações em África, este autor é formidável. Depois de sua leitura fica bem mais ameno se entender o quanto a identidade cultural pode ser fluída, por exemplo.

AC: Poderia nos dar mais detalhes sobre o tema de sua monografia?

RP: As dificuldades que as doenças tropicais significaram para os países imperialistas da Europa em fins do século XIX e início do XX, para que estes obtivessem sucesso na completa invasão do território africano; todas as consequências que disso derivou, como, por exemplo, um enorme avanço da medicina em vários campos neste período, ou também o fato de a forma como as medidas preventivas foram aplicadas na África ajudaram a aprofundar as práticas de segregação.

AC: O que você pode nos dizer sobre sua experiência de aprendizado durante o curso?

RP: Posso dizer que mediante o aprendizado do curso se dissipou qualquer dúvida que eu ainda poderia ter sobre qual esfera da história eu escolheria trabalhar. Percebo que o aumento dos conhecimentos sobre a África será um ganho para todo o conjunto da sociedade, uma vez que o próprio fato de sua história ter por tanto tempo sido posta de lado é um sintoma de que os campos de interesse das ciências sociais tem andado equivocados, teimando em desprezar e ignorar uma lacuna fundamental do conhecimento humano.

AC: Que conselho você daria àqueles que estão demonstrando interesse por esse curso?

RP: Que sigam o exemplo de Alberto da Costa e Silva, que no prefácio de seu “A Enxada e a Lança” nos conta que no início de seus estudos procurava ler tudo o que lhe caísse nas mãos sobre o continente africano. Também aconselharia que frequentassem todos os autores não-africanos, mas que não se descurassem de ler o máximo de autores africanos que for possível. Isto para procurar formar um contraponto, tomando ciência das diferentes visões e possíveis divergências ou das concordâncias, contribuindo para formar um mais rico e completo conhecimento sobre o assunto.

 

 

Ronaldo de Jesus, Professor de História

 

Outro aluno, Ronaldo de Jesus da Silva, Professor, com Graduação em Licenciatura Plena em História também comentou sua experiência:

AC: Como surgiu seu interesse pelo continente africano?     

 

RJ: Surgiu pela vontade de conhecer a história da minha descendência étnica.


AC: Por que você procurou a Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?     

RJ: Para melhor compreender e me comprometer com a questão do desenvolvimento humano, somado à qualificação para o exercício da função de Educador.


AC: Cite algum ponto de conteúdo que foi importante para você nesse processo?     

 

RJ: A história da colonização, a criação do grupo de assimilados nas colônias, as relações internacionais e o pan-africanismo.

 

AC: Entre os autores trabalhados no curso, qual deles chamou sua atenção?     

 

RJ: Homi Bhabha e William E. B. Dubois.


AC: Qual é o tema de sua monografia?     

 

RJ: “O pan-africanismo e a dimensão da autodeterminação africana”.


AC: O que você poderia nos dizer sobre a sua experiência de aprendizado durante o curso?     

RJ: Abriu meus os olhos para o entendimento de uma nova consciência sobre os verdadeiros acontecimentos que ocorreram no continente africano, principalmente os que não foram descritos pelos africanos, como também os entraves que ainda permanecem diante da utopia do pan-africanismo.  

 

AC: O que você poderia dizer sobre o curso àqueles que estão demonstrando interesse em fazer nossa Pós-Graduação?

RJ: Excelente! Uma dinâmica crescente de entendimento e principalmente a plena interação com autores, professores altamente capacitados e comprometidos com a questão “África”, uma verdadeira viagem acadêmica ao continente africano desde aspectos geográficos, culturais, entre outros; e o mais importante: uma apresentação da sua importância em diversos aspectos que permitirá ao aluno abrir novas perspectivas de trabalho, principalmente para aqueles que carregam na pele a referência africana em promover a reconstrução seja pessoal, reflexões, debates ou ações que abram espaço para uma maior integração do nosso povo com esse continente, onde também se encontram as nossas raízes.

 

 Dr. Luiz Carlos Coelho, Fisioterapeuta, Militante da UNEGRO, Babálorixá Odeybáilê

 

Graduado em Fisioterapia, Pós-Graduado em Fisioterapia Pneumofuncional, Luiz Carlos Coelho é funcionário público. Sua atuação religiosa ocorre em Sepetiba, na Casa de Axé Ilê Ajubó de Ode. Nos contou que este é o primeiro espaço físico religioso de matriz africana da Unegro no Rio de Janeiro (União dos Negros pela Igualdade). Aqui ele foi diretor por quatro anos e desenvolveu várias atividades e encontros direcionados ao povo de axé, entre eles, o I Encontro de Negros e Negras em Sepetiba, além de dois Seminários sobre religiões de matriz africana.

Babálorixa, Odeybáilê, chamado Cacau d’Oxossi, sua iniciação ocorreu há 40 anos por Honorina de Souza conhecida como Babásiletomi. Pessoa marcante na sua formação religiosa, Honoria era filha de Aldair Teixeira, conhecido como Daíco de Oxumarê, do axé da finada Monadeuí de Aracajú.


AC: Como surgiu seu interesse pelo Continente Africano?

LC: Por ser a pátria mãe dos meus ancestrais, eu me obrigo a preservar, manter e cultivar essa memória.
AC: Por que você procurou a Pós-graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?

LC: Além da minha etnia, sou militante de movimento negro. E a presença constante das falácias e a fragilidade dos ativistas em relação ao Continente Africano, demonstradas em reuniões, assembléias, congresso e etc, me mostraram uma enorme necessidade de saber sobre a veracidade e o conhecimento histórico real do Continente Africano.

AC: Cite algum ponto de conteúdo que foi importante para você nesse processo?

LC: Verdadeiramente eu renasci em todos os aspectos ligados ao africanismo, minha linha de pensamento está inserida numa vertente de realidade palpável, lógica e tenho certeza que a minha discordância com a persistência do pedido de reparação dos movimentos negros, tinha e tem fundamento.

AC: Que autor lhe chamou a atenção durante o curso?

LC: Marco Aurélio Luz.

AC: Qual é o tema de sua monografia?

LC: “Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo de Pierre Fatumbi Verger”. Pretendo fazer uma resenha-roteiro desse livro.

AC: O que você poderia nos dizer sobre a sua experiência de aprendizado durante o curso?

LC: O curso é uma referência de qualidade indiscutível, um somatório de informações, relações e conjunturas. O corpo docente é constituído de mestres e doutores polidos de uma didática espetacular.

AC: Que conselho você daria àqueles que estão demonstrando interesse por esse curso?

LC: Ingressar com convicção, porque essa Pós-Graduação é um curso de excelência em Estudos Africanos.

As matrículas para o curso de Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência estão abertas. O curso tem duas modalidades de horário: Uma modalidade com duração de 13 meses e acontece, semanalmente, terças-feiras e quartas-feiras. Na outra modalidade o curso tem duração de 18 meses e acontece, quinzenalmente aos sábados. Para novos alunos há uma bolsa de 50%.

Não deixe de nos procurar pelo telefone (21) 2278-3975 e africa.consultingltda@gmail.com e ligue também para a Secretaria de Pós-Graduação: (21) 2221-9221 a partir de 15 horas. Acesse o site da Africa Consulting e veja a grade curricular.

 

 

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