Africa Consulting

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Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais

OS TRANSGRESSORES AFRICANOS MORRERÃO: EIS O SONHO DE MUITOS!

 

A notícia, em fevereiro último sobre o Presidente de Uganda, Yoweri Museveni, promulgando a lei que considera a homossexualidade crime punível com prisão perpétua causou revolta e decepção entre líderes internacionais. Porém, Uganda não está sozinha na lista de países africanos que declararam a homossexualidade como algo ilegal e tratam os cidadãos homossexuais como “foras da lei”.  

 

 

 

Faz tempo que seus direitos não são garantidos, faz tempo que são vítimas de violências desmedidas e, muitas vezes, fatais. E, salvo nossa péssima memória, as grandes potências, os países desenvolvidos e ricos, que lucram sobremaneira com os recursos naturais do continente africano, nada fizeram para ajudar essas pessoas.

 

Veja abaixo uma tabela, que condensamos, com os países africanos que ainda tratam a homossexualidade como crime. 

 

 

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QUE PAÍS É ESSE? Uma história de sangue, lágrimas e violência na esquecida, aos olhos do mundo, República Centro-Africana

Como resultado da dominação europeia e sendo a cidade de Bangui sua capital, a República Centro-Africana é um país que está geograficamente “emparedado” por seus vizinhos Chade, Sudão, Sudão do Sul, pela República Democrática do Congo, Camarões e República do Congo (Congo-Brazzaville). Quando colônia francesa era chamado de Oubangui-Chari, região habitada pela etnia ubangui entre outras.

 

Dentro dessa mentalidade colonial, a idéia de sujeição dos povos africanos não se sustentava porque, segundo sua compreensão, não havia povo a ser liberto de nenhuma sujeição política, militar, econômica ou racial, já que não eram considerados como tal, mas sim civilizações inferiores que, eventualmente, conheceriam e se beneficiariam com a evolução trazida pela “superior” cultura francesa. Esse território, na verdade, viveria até o século XX sob a ação de uma série de Companhias e Corporações que tinham a concessão para utilizar os recursos minerais e agrícolas bem como fazer uso da mão de obra local. Tais práticas exploratórias contribuiram sobremaneira para agravar a situação de miséria na região.

A independência da República Centro-Africana foi negociada e proclamada em 1960. De lá até o momento, este país vem sofrendo com governanças instáveis, golpes de estado, ditaduras, guerra civil e conflitos religiosos. Após a libertação do domínio colonial, a história política desse país tem sido marcada por golpes recorrentes de tomada do poder. Dos nove presidentes da Republica, à exceção de Michel Djotodia que reenunciou recentemente, de Alexandre-Ferdinand Nguendet, ocupante interino do cargo por curtíssimo período, e da governante Catherine Samba-Panza, os outros foram retirados à força do governo.

 

Em 2003 o grupo de rebeldes UFDR (União das Forças Democráticas para a Reunificação) era acusado por Bangui de ter conexões com as milícias rebeldes do Sudão. E a liderança dessa organização, na pessoa de Michel Djotodia, afirmava que o governo Bozizé perseguia algumas etnias desde que este tomara o poder através de um golpe de estado naquele ano. No decorrer dos enfrentamentos, outros grupos rebeldes se uniram à UFDR: o Exército Popular para a Restauração da Democracia, o Grupo de Ação Patriótica pela libertação da Africa Central, o Movimento de Libertação Centroafricana pela Justiça, a Frente Democrática Centroafricana e a União das Forças Republicanas. Em 2007 foi assinado um acordo de paz entre as partes, porém confrontos não pararam de acontecer.

 

Essa recorrência indica algumas questões: quais os interessados nessa instabilidade que dizima populações e provoca o crescimento acelerado no número de deslocados internos? Quem financia tais conflitos? Ao que parece, o interesse em tamanha instabilidade vem do lucrativo mercado do tráfico de armas e de drogas, dos elevados rendimentos auferidos pela exploração mineral, dos altos lucros do trabalho escravo e do tráfico humano e, nessa escala, não é difícil enxergar uma conjuntura financeira institucionalizada que lucra, sobremaneira, com essa espiral interminável de caos e violência.

 

Em 2008 houve um acordo para a reconciliação das forças opostas, objetivando a criação de um governo de unidade nacional a fim de organizar eleições locais no ano seguinte. No entanto, o governo Bozizé se manteve no poder mesmo em meio a esse ambiente de crise e acabou por ser deposto pela coalização Seleka em 2013. Mas quem é esse grupo rebelde?

 

Seleka, no dialeto Sango, significa aliança. Esse grupo forma uma coalizão de vários movimentos armados composta pelas facções dissidentes da Convenção dos Patriotas para a Justiça e Paz (CPJP), da União das Forças Democráticas para a Unidade (UFDR), da Frente Democrática Popular Centro-Africana (FDPC), pela Convenção Patriótica para a Salvação de Kodro (CPSK) e, ainda, pela Aliança para o Renascimento e Refundação Nacional. Apesar da diversidade, os grupos estavam convencidos de que o presidente François Bozizé não tinha honrado o Acordo de Paz de 2007 e o de 2008. No final de 2012 a coalizão Seleka, numa ofensiva iniciada no nordeste do país, capturou a produção de diamantes da cidade de Bria e dominou as cidades de Batangafo, Kabo, Ippy, Kaga Bandoro, Bambari e Sibut. O movimento rebelde se dirigiu à capital do país, Bangui, e F. Bozizé recebeu ajuda do governo do Chade através do envio de tropas para combater seus inimigos.

 

Diante dessa instabilidade pessoas que apoiavam o governo atacaram a embaixada francesa protestando contra a indiferença da antiga metrópole diante da violência e das mortes, e os EUA e a ONU trataram de retirar seu pessoal diplomático da República Centro-Africana. O presidente Bozizé prometeu criar um governo de unidade e apelou pela realização de um acordo de paz. A coalizão Seleka aguardou que o presidente aceitasse as exigências do grupo até março de 2013, porém o movimento rebelde não se sentiu contemplado em suas reivindicações. Em 24 de março do ano passado a coalizão tomou o poder, invadiu o palácio presidencial de Bangui e François Bozizé fugiu do país para a República Democrática do Congo. Contudo, nesse ínterim, Bozizé já contava com a ação Anti-Balaka que nos dialetos Sango e Mandja, significam faca, espada. Segundo investigações da Human Rights Watch esse grupo armado, criado pelo ex-presidente Bozizé para combater o banditismo, é composto por soldados que fizeram parte da FACA – Forças Armadas Centro-Africanas e por outras pessoas fiéis ao antigo presidente.

 

 

Já em fins de 2012 contingentes militares do Chade, da Força Multinacional da África Central (FOMAC), da República do Congo, do Gabão, da África do Sul, de Angola e do Camarões se encontravam no país para apoiar o governo Bozizé. No final de março de 2013 Michel Djotodia, líder da coalizão Seleka, se autoproclamou presidente da República Centro-Africana designando uma administração interina e de transição formada por rebeldes e lideranças ligadas ao presidente anterior. A comunidade internacional, porém, não apoiou a mudança de poder: África do Sul, França, China, Brasil, União Africana, para citar alguns, condenaram o golpe de estado.

 

Com noticias sobre violência generalizada, saques, decapitações, estupros, confrontos entre milícias de muçulmanos (Seleka) e cristãos (Anti-Balaka), crescimento de deslocados e fome, em setembro de 2013 a comunidade internacional voltou a se reunir em Nova York para discutir sobre a situação na Republica Centro-Africana, justamente quando a ONU começou a falar em crise humanitária e o número de refugiados já somava trezentos mil. Somente em dezembro as Nações Unidas aprovaram a entrada de tropas externas para garantir a segurança dos cidadãos da República Centro-Africana e o trabalho de ajuda à população de organizações internacionais. A União Africana e a França também enviaram contingentes armados. No entanto, o presidente François Hollande afirmou que a ação teria uma duração de tempo limitada, com o máximo de seis meses. Até o final do ano nenhuma mudança havia ocorrido, a situação de violência generalizada não tinha se modificado e já se contabilizavam um milhão de refugiados e de centenas de milhares de mortos, além da chegada de ajuda aos desabrigados e feridos que ainda sofria impedimentos.

 

No início do ano corrente o presidente interino Michel Djotodia e o primeiro-ministro, Nicolas Tiangaye, renunciaram por pressão da Comunidade Econômica dos Estados da África Central segundo o que noticiou a imprensa internacional, e com a mediação da França foi presumido que milicias de ambos os lados começaram a depor as armas. Assumiu como presidente interino Alexandre-Ferdinand Nguendet que ficou em exercício até 23 de janeiro de 2014. Sua prioridade foi desarmar as milícias e restaurar a ordem dentro da República Centro-Africana. Para tanto, convocou o contingente do Exército e da Polícia que haviam fugido durante os conflitos desde 2012. Afirmando que agiria com rigor sobre as milícias, Nguendet, segundo a Agência Reuters, declarou que: "Se eles continuarem fica ordenado, em nome da República, atirar à queima-roupa para que a ordem possa reinar neste país".

 

Foi nesse panorama de instabilidade geral e confrontos que a prefeita da cidade de Bangui, Catherine Samba-Panza se elegeu presidente interina pelo Conselho Nacional de Transição da República Centro-Africana com mandato de um ano. Ela é a primeira mulher na história da República Centro-Africana a ocupar este cargo. Cabe lembrar que a tensão na capital do país não acabou. Mesmo que tropas de forças internacionais estejam, ainda, presentes, o país continua em situação de confronto entre a coalizão Seleka e a milícia cristã Anti-Balaka. A prioridade da presidente é o desarmamento das milícias e a restauração da paz. Porém, confrontos ainda acontecem no território da RCA e a ONU já anunciou que, aproximadamente, seis mil crianças foram recrutadas pelas duas milícias.

 

Com uma população de 5 milhões de habitantes conforme dados de 2013 e enquadrada no patamar mais baixo do desenvolvimento humano, a República Centro-Africana ocupa o centésimo octogésimo lugar na escala IDH, com um índice de 0,352, segundo os dados do PNUD 2013. A expectativa de vida é muito baixa, estimando-se que a idade média alcançada no país seja de 49 anos, a segunda menor expectativa de vida humana no planeta. Em 2009, por exemplo, a cada 100 adultos, aproximadamente 90 morriam por ano de problemas de saúde diversos. Segundo o ultimo relatório UNAIDS, só em 2010 cento e oitenta mil pessoas estavam infectadas e, segundo as estimativas, onze mil pessoas morrem de aids por ano nesse país. A população subnutrida era de 43%. Em 2008 62,0% da população estava abaixo da linha de pobreza e em 2009 a taxa de analfabetismo era de 45%. O número de mortos no conflito desde 2012 não foi estimado.

 

Segundo a OMS, no que diz respeito ao quarto objetivo do Desenvolvimento do Milênio, “Reduzir em dois terços, entre 1990 e 2015, a mortalidade de crianças menores de 5 anos”, não houve progresso algum. Ainda, segundo esta organização, os principais problemas no setor da saúde que o país enfrenta são: os altos níveis de mortalidade materna e infantil, alto índice de doenças transmissíveis em níveis epidêmicos como o HIV, malária, tuberculose, meningite, doenças diarreicas, doenças tropicais negligenciadas, aumento progressivo de doenças não transmissíveis, como a hipertensão arterial, diabetes, anemia falciforme, câncer, entre outras, além do fracasso na gestão pública e a falta de financiamentos, entre os principais fatores de instabilidade. Para a OMS a melhor estratégia para iniciar uma mudança nesse panorama seria a realização de parcerias e investimentos de agências internacionais e de outros países com expertise em desenvolvimento humano.

 

Entretanto, não há somente misérias nesse país. Existe uma história rica e caracterizada por sua diversidade humana e cultural. A RCA se compõe de mais de 80 grupos étnicos cada um com seu idioma próprio. Entre exemplos dessa multiplicidade cultural podemos citar as etnias Baya, Banda, Mandjia, Sara, Mboum, M'Baka, Yakoma, entre outras. 

 

É provável que o território da RCA tenha sido ocupado pela presença de alguns impérios africanos como Kanem-Bornou, Ouaddai, Baguirmi e outros grupos baseados na região do lago Chade e do Alto Nilo. Com o tempo, alguns sultanatos passaram a utilizar a região de Oubangui como uma área de comércio de escravos usualmente vendidos para a região do Saara e da África Ocidental que seriam, de lá, exportados para a Europa. Em 1875 o território que corresponde à atual RCA era governado pelo sultão egípcio Rabah que foi derrotado pelas forças francesas em finais do século XIX. A partir daí a França só consolidaria seu poder sobre a região em 1903. Em 1910 Oubangui-Chari passou a compor a África Equatorial Francesa (AEF), junto com Chade, Congo-Brazzaville e Gabão.

 

A produção artesanal de artigos finos era intensa até o século XIX, decaindo com o domínio colonial e terminando por desaparecer. Artigos como tapetes, cestaria, utensílios feitos em madeira, tamboretes, produção de cerâmicas e de instrumentos musicais (como o balafon, parente distante do xilofone, construído de chifres de animais, peles, madeira e tecido) são os resquícios dos tempos áureos dessa época. Atualmente, artesãos locais produzem desenhos feitos com asas de borboletas e esculturas utilizando madeira de ébano. O povo da República Centro-Africana possui notável talento para a música e a dança. Observe-se que as tradicionais músicas e danças celebradas pelos pigmeus Aka (os cantos polifônicos), são internacionalmente conhecidas. Nessa expressão de pura arte e cultura, cada cantor e percussionista escolhe o seu próprio ritmo, elaborando um hall harmônico de variedades sonoras. Seria, como que, um universo de movimentos, ritmos e sons. Esta tradição foi declarada Obra Prima do Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2003.

 

 

 

 

A matriz econômica da RCA se localiza numa agricultura de subsistência, além da silvicultura e da mineração. O setor agrícola gera mais da metade do PIB. Madeira e diamantes representam a maioria das receitas de exportação, seguidos pelo algodão. Economicamente o país sofre restrições por não ter nenhuma saída para o mar e ainda por não contar com um sistema de transportes eficiente.

 

Uma das principais belezas naturais da RCA se localiza no norte da Bacia do Congo, as áreas protegidas do Parque Nacional Dzanga Sangha. Uma região rica de florestas tropicais e de diversidade animal selvagem, tais como os gorilas da Planície Ocidental, os elefantes, búfalos e uma infinidade de espécies de aves, entre outros animais. Esta região ainda abriga uma cultura tradicional representada pelos pescadores Sangha Sangha e pelos coletores e caçadores Baaka. Esta reserva está em vias de se tornar Patrimônio Mundial a ser declarado pela UNESCO. Desnecessário afirmar que a RCA possui recursos naturais significativos, no entanto sua utilização ainda não resultou na transformação estrutural necessária para alavancar um crescimento substancial e sustentável.

 

 

Também faz parte dessa história recente os problemas que afetam a condição humana na Republica Centro-Africana. A guerra interna tem provocado decapitações, saques, sequestros, execuções sumárias, ocorrências que dificilmente chegam aos tribunais e à justiça, resultando em uma violência generalizada. Além do recrutamento forçado de crianças para engrossarem as fileiras dos combatentes, o estupro, desde 2002 realizado sem tréguas, é utilizado como arma de guerra. Todos os grupos envolvidos no conflito, tanto de combatentes da RCA como das tropas estrangeiras (segundo investigação da Anistia Internacional) praticam de maneira indiscriminada essa violência. Infelizmente as vítimas, mulheres e meninas, se recusam a falar e a denunciar esses crimes brutais. No entanto, os criminosos precisam ser levados à justiça.

 

Ainda segundo os resultados investigativos da Anistia Internacional, desde meninas de 8 anos de idade até muilheres de 60 anos foram estupradas em suas casas ou enquanto fugiam das zonas de conflito, o que acontecia normalmente na frente de seus maridos, pais e filhos. Os que tentaram impedir a violência foram sumariamente executados. De acordo com os depoimentos colhidos pelos investigadores da AI, normalmente os perpetradores dos crimes eram crianças soldado e outros tantos que se encontravam sob influência de drogas ilicitas. Todas as escolas do país foram fechadas desde dezembro de 2013. Tais eventos também foram investigados pela Organização Global Observatory.

 

O que resta para as pessoas que vivem na RCA? Esperança? Sim, mas a esperança de que os países não se calem diante de tanta violência e caos? As grandes potências sempre fizeram silêncio diante dos “genocídios” ocorridos ao longo da história, pricipalmente os cometidos contra populações residentes em países pobres. As potências mundiais continam em silêncio diante do que acontece na RCA, pelo menos o silêncio dos que parecem enxergar esse caos como uma aventura distante em locais além da “civilização”. Por isso, resta àquelas pessoas que a sociedade civil do planeta denuncie tamanhos perigos, não se cale e nem fique indiferente ao sofrimento do outro mais pobre.

 

Não feche os olhos e os ouvidos para mais este país pouco conhecido e aparentemente tão longe de nós. Junte-se a Africa Consulting e compartilhe o máximo que você puder, este artigo. Gostaria de nos ajudar a melhorar as iformações sobre a situação na RCA? Deixe seus comentários ou escreva para nós.

 

Notas:

1. Esse artigo não possui fins lucrativos. As imagens são aleatórias e compartilhadas de links públicos e suas fontes devidamente citadas. Caso alguém discorde ou queira sua imagem retirada desta publicação, escreva para africa.consultingltda@gmail.com

2. Material de propriedade da Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais Ltda., conforme Lei 9.610/98. Se alguém desejar reproduzir ou utilizar o conteúdo, solicitamos a gentileza de citar a fonte corretamente.

3. Para saber mais sofre as fontes, nos escreva!

4. Para citar o artigo:

 

BARROS, Rita de Cássia B. e VELLOSO, Sergio G. Que país é esse? Uma história de sangue, lágrimas e violência na esquecida, aos olhos do mundo, República Centro-Africana. Rio de Janeiro. Africa Consulting, 2013. Disponível em: 

http://africaconsulting.wix.com/africaconsultingltda/apps/blog/draft/page/1

 

MGF: O QUE SEUS OLHOS NÃO VEEM, O SEU CORPO SENTE!

 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde aproximadamente 140 milhões de meninas e mulheres ao redor do mundo foram submetidas a essa violência. A cada ano mais de 3 milhões podem passar pela mutilação. Por essa estatística, cerca de 8 mil meninas são mutiladas por dia. Essa é uma prática que ocorre na África, no Oriente Médio, na Ásia, America do Sul e América Central. E, segundo a última investigação da The END FGM European Campaign, a MGF tem acontecido, também, em alguns países da Europa. 

 

 

A MGF é realizada na faixa etária de 0 a 15 anos de idade. O tipo de mutilação, a idade e a forma como esta incisão é feita variam e dependem do país onde acontecem. A mutilação é operada por membros do grupo que reconhecem a prática como sendo um rito de passagem para mulheres e, portanto, necessário.  Os objetos utilizados para a incisão são pontiagudos, tais como uma faca, uma lâmina de barbear ou um vidro quebrado. As principais consequências da MGF são dor e sangramento, traumas irreparáveis, choques, dificuldade em urinar, infecções generalizadas, septicemias, lesões no tecido genital e, às vezes, a morte, segundo o relator especial da ONU Manfred Nowak que investiga assuntos sobre tortura, tratamentos ou penas cruéis, desumanas e degradantes pelo mundo.

 

 

 

Objetos utilizados para realizar a Mutilação Genital Feminina

 

 

O vídeo abaixo, publicado em 2010, que compartilhamos neste post, com duração de apenas 6 minutos, foi realizado pela ADDHU - Associação de Defesa dos Direitos Humanos, Organização Não Governamental para o Desenvolvimento.  

 

Seja um parceiro da Africa Consulting e nos ajude na campanha contra a Mutilação Genital Feminina. É muito simples participar: compartilhe esse post e diga Não à MGF. Quanto mais pessoas fizerem isso, mais rápido podemos chamar a atenção do mundo para esta cruel realidade. O objetivo dessa campanha é salvar vidas.

 

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JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE 2013!

De 22 a 24 de julho, no Centro de Convenções Sul América/RJ, aconteceu a Pré-Jornada JMJ/RCE, evento do Congresso da Rede RCE Educação e Valores direcionado à Jornada Mundial da Juventude 2013. O tema do congresso foi “Um olhar sobre a realidade, desafios da evangelização e elementos para o discipulado do jovem estudante” e o evento recebeu jovens estudantes, educadores, gestores, pais e mães do Brasil inteiro e de vários outros cantos do mundo.

 

A Prof.ª Rita Barros,  Diretora da Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais, participou de um painel integrado falando sobre questões acerca da cidadania, educação, ética, bullying, direitos, deveres, entre outros. Ela nos disse: “Foi um prazer e uma emoção muito grande participar desse congresso filiado à JMJ. As pessoas acolheram nossa proposta de reflexão e eu fui recebida com muito carinho por todos. Uma energia maravilhosa, mundial. Deixo aqui meu agradecimento à RCE pelo convite”, disse ao Blog da Africa Consulting. 

 

 

A palestra se desenvolveu de forma muito explicativa, didática, e todos não hesitaram em participar e tirar suas dúvidas, durante e depois da apresentação. Com a mediação do  Pe. Rodrigo Perrucini, scj, o painel também contou com a presença do Professor e escritor Gabriel Perissé. E você, acompanhou a JMJ? Participou de alguma atividade? Confira as fotos abaixo e deixe seus comentários.

 

Profª Rita Barros - Salão de Conferências

 

 

Oração de Abertura: O Pai Nosso

 

 

 

Conferência

 

 

Vista panorâmica do salão

 

 

 

Pe. Rodrigo Perrucini, Prof. Gabriel Perissé, Profª. Rita Barros            

 

 

Interatividade após conferência

 

 

 

 

Com a juventude

 

 

 

 

 

 

ESTUDOS AFRICANOS: O QUE VOCÊ SABE SOBRE ISSO?

 

 

Prof. Paulin J. Hountondji, filósofo do Benin.

 

 

  "Quando falamos de estudos africanos, normalmente estamos a referir-nos não apenas a uma disciplina, mas a todo um leque de disciplinas cujo objeto de estudo é África. Entre estas incluem-se, frequentemente, disciplinas como a “história africana”, “antropologia e sociologia africanas”, “linguística africana”, “política africana”, “filosofia africana”, etc. Torna-se inevitável, por isso, colocar uma primeira questão: existirá algum tipo de unidade entre estas disciplinas?... Todavia, pelo menos uma outra questão se coloca: quão africanos são os chamados estudos africanos? Por exemplo, por história africana entende-se normalmente o discurso histórico sobre África, e não necessariamente um discurso histórico proveniente de África ou produzido por africanos. Em termos gramaticais, referimo-nos à história de África: historia Africae em Latim, em que Africae, genitivo de Africa, seria um genitivo objectivo, e não um genitivo subjectivo. Na mesma ordem de ideias, a sociologia ou a antropologia africanas significam a sociologia ou antropologia de África enquanto genitivo objectivo, ou seja, um discurso sociológico ou antropológico sobre África e não uma tradição sociológica ou antropológica desenvolvida por africanos em África”. Prof. Paulin J. Hountondji, filósofo do Benin.

 

A partir da reflexão feita pelo filósofo do Benin, fica mais que evidente a necessidade dos brasileiros se lançarem na tarefa de conhecer a África e os africanos, não para se tornarem um porta-voz, mas para estabelecerem um diálogo efetivo, de amizade e conhecimento real, que possa resultar na experiência da cooperação. Esta experiência convida à capacitação profissional. Tal é a proposta da Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência que é realizada pela Africa Consulting em parceria com o Instituto Superior de Estudos Pedagógicos e a Faculdade Bethencourt da Silva, no Rio de Janeiro.

 

A grade curricular do curso tem por objetivo contemplar uma formação acadêmica e profissional que privilegie um conhecimento genuinamente africano para dele aprendermos, numa ótica que se diferencie daqueles saberes puramente ocidentais que foram, por muito tempo, o discurso oficial sobre a história da África e seus povos.

 

O Blog da Africa Consulting conversou com alguns alunos do curso e, desde já, agradecemos pelos depoimentos. Veja abaixo:

 

Dra. Lourdes Maria Pires, Advogada e Jornalista

 

Dra. Lourdes Maria Pires, advogada e jornalista, nos contou que sempre foi “apaixonada pelo Continente Africano, seu povo, sua história, seus costumes”. No momento ela está concluindo sua monografia de final de curso com o tema O Império Português e a Questão Colonial em África.

 

AC: Por que você procurou a Pós-graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?

LM: Por querer adquirir conhecimentos sobre Estudos Africanos. Um belo dia, conversando com um casal de amigos sobre o meu interesse pelo Continente, para a minha surpresa, eles estavam começando a Pós no ISEP, logo pedi o endereço, fui até lá, tive as devidas informações e dias depois me matriculei e comecei a estudar.

AC: O que poderia nos dizer sobre a sua experiência de aprendizado durante o curso?

LM: É um rico aprendizado de uma grandeza imensurável.

AC: Que conselho você daria àqueles que estão demonstrando interesse por esse curso?

LM: Não percam a oportunidade por ser um Curso de Excelência.

 

 

Reinaldo Pitzer, Professor de História

 

Reinaldo Rocha Pitzer, Professor de História e Recepcionista Bilingue no Jardim Botânico da Cidade do Rio de Janeiro, nos contou sua experiência sobre o processo de conhecer mais sobre o continente africano:

AC: Como surgiu seu interesse pelo continente africano?

RP: Antes mesmo de pensar em cursar história, meu irmão mais velho, então seguindo este curso, me pediu auxílio em um trabalho que estava fazendo, estagiando com o historiador João Fragoso. Este trabalho pedia a leitura de várias cópias Xerox de inventários do século XIX sobre os bens de fazendeiros possuidores de escravos. O assunto escravidão e logo África e suas relações com a história de nosso país desde então ficou bem vivo para mim. Quando anos depois cursei a faculdade de história, havia uma aula de África que, como todos os alunos concordavam, era mesmo muito fraca. Percebíamos que deveria haver muito mais do que o magro conteúdo que nos era passado. Em meu último período fui assistente de pesquisa do professor José Jorge Siqueira, que então trabalhava no projeto de um livro que versava sobre a história da África e terminava enfocando o preconceito velado contra os negros em nosso país que subsiste até hoje. Todo o primeiro capítulo contava uma história da África, o que foi, de toda forma, uma introdução do tema para mim. Chamava a atenção, sobretudo que o continente africano não era de modo algum aquele sinônimo de escravidão que me fora passado antes. Bem se vê, portanto, que eu sempre estive pronto para retornar a este estudo sobre a África.

AC: Por que você procurou a Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?

RP: Muito sinceramente: meu interesse imediatamente anterior tinha sido pela história da ciência médica, das doenças e etc; tendo seguido dois cursos como aluno ouvinte na Fiocruz (“Doenças e Escravidão” e “História da Saúde Pública”). Fiz a prova para o ingresso no mestrado nesta instituição e atingi uma boa nota (nove) e passei também na prova de língua estrangeira. Mas foi justamente na entrevista que não consegui boa nota, o que me impediu de atingir o número de pontos exigido. Fiquei um tanto decepcionado e, algum tempo depois, fui informado por um amigo sobre o curso de Estudos Africanos, realizado pela Africa Consulting em parceria com o ISEP/FABES. Conforme expliquei acima, eu tinha tido contatos prévios com os estudos sobre a África e assim procurei conhecer o curso, e não me decepcionei. O tema de minha monografia, tratando das doenças tropicais (especificamente as africanas) no século XIX e XX, foi uma forma que encontrei de aproveitar meus conhecimentos adquiridos na Fiocruz com os estudos sobre a África.

AC: Cite algum ponto de conteúdo que foi importante para você nesse processo.

RP: Poderia citar vários. Apreciei muito as aulas sobre o aspecto econômico da África e suas relações com todo o “primeiro mundo”, os “países do Norte”, que foram muitíssimo interessantes, esclarecedoras e surpreendentes. A maneira como as nações ricas e estabelecidas exploram o povo e as riquezas naturais do continente africano; de tal forma que, aos olhos das leis internacionais, da economia, e do aspecto puramente jurídico, faz com que elas pareçam estar “impecáveis”, apenas mascara habilmente o que moralmente seria perfeitamente condenável no mais alto grau.

Também todas as discussões em torno do autor Homi Bhabha, de que a atualidade se caracterizaria por uma generalizada ausência de representatividade política para uma expressiva maioria (entre outras), também atraiu bastante minha atenção. Todos os outros autores que desenvolvem de diferentes formas este tema, discutindo as relações sociais, aspectos “exóticos” das relações culturais, foram para mim pontos de grande interesse.

AC: Que autor lhe chamou a atenção durante o curso?

RP: Foram muitos. Mas vou citar Stuart Hall como um dos que reconheci como dos mais importantes e que eu não conhecia anteriormente. Para uma introdução ao estudo da cultura e de suas múltiplas inter-relações e complexidade, e logo, para o pleno entendimento das relações em África, este autor é formidável. Depois de sua leitura fica bem mais ameno se entender o quanto a identidade cultural pode ser fluída, por exemplo.

AC: Poderia nos dar mais detalhes sobre o tema de sua monografia?

RP: As dificuldades que as doenças tropicais significaram para os países imperialistas da Europa em fins do século XIX e início do XX, para que estes obtivessem sucesso na completa invasão do território africano; todas as consequências que disso derivou, como, por exemplo, um enorme avanço da medicina em vários campos neste período, ou também o fato de a forma como as medidas preventivas foram aplicadas na África ajudaram a aprofundar as práticas de segregação.

AC: O que você pode nos dizer sobre sua experiência de aprendizado durante o curso?

RP: Posso dizer que mediante o aprendizado do curso se dissipou qualquer dúvida que eu ainda poderia ter sobre qual esfera da história eu escolheria trabalhar. Percebo que o aumento dos conhecimentos sobre a África será um ganho para todo o conjunto da sociedade, uma vez que o próprio fato de sua história ter por tanto tempo sido posta de lado é um sintoma de que os campos de interesse das ciências sociais tem andado equivocados, teimando em desprezar e ignorar uma lacuna fundamental do conhecimento humano.

AC: Que conselho você daria àqueles que estão demonstrando interesse por esse curso?

RP: Que sigam o exemplo de Alberto da Costa e Silva, que no prefácio de seu “A Enxada e a Lança” nos conta que no início de seus estudos procurava ler tudo o que lhe caísse nas mãos sobre o continente africano. Também aconselharia que frequentassem todos os autores não-africanos, mas que não se descurassem de ler o máximo de autores africanos que for possível. Isto para procurar formar um contraponto, tomando ciência das diferentes visões e possíveis divergências ou das concordâncias, contribuindo para formar um mais rico e completo conhecimento sobre o assunto.

 

 

Ronaldo de Jesus, Professor de História

 

Outro aluno, Ronaldo de Jesus da Silva, Professor, com Graduação em Licenciatura Plena em História também comentou sua experiência:

AC: Como surgiu seu interesse pelo continente africano?     

 

RJ: Surgiu pela vontade de conhecer a história da minha descendência étnica.


AC: Por que você procurou a Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?     

RJ: Para melhor compreender e me comprometer com a questão do desenvolvimento humano, somado à qualificação para o exercício da função de Educador.


AC: Cite algum ponto de conteúdo que foi importante para você nesse processo?     

 

RJ: A história da colonização, a criação do grupo de assimilados nas colônias, as relações internacionais e o pan-africanismo.

 

AC: Entre os autores trabalhados no curso, qual deles chamou sua atenção?     

 

RJ: Homi Bhabha e William E. B. Dubois.


AC: Qual é o tema de sua monografia?     

 

RJ: “O pan-africanismo e a dimensão da autodeterminação africana”.


AC: O que você poderia nos dizer sobre a sua experiência de aprendizado durante o curso?     

RJ: Abriu meus os olhos para o entendimento de uma nova consciência sobre os verdadeiros acontecimentos que ocorreram no continente africano, principalmente os que não foram descritos pelos africanos, como também os entraves que ainda permanecem diante da utopia do pan-africanismo.  

 

AC: O que você poderia dizer sobre o curso àqueles que estão demonstrando interesse em fazer nossa Pós-Graduação?

RJ: Excelente! Uma dinâmica crescente de entendimento e principalmente a plena interação com autores, professores altamente capacitados e comprometidos com a questão “África”, uma verdadeira viagem acadêmica ao continente africano desde aspectos geográficos, culturais, entre outros; e o mais importante: uma apresentação da sua importância em diversos aspectos que permitirá ao aluno abrir novas perspectivas de trabalho, principalmente para aqueles que carregam na pele a referência africana em promover a reconstrução seja pessoal, reflexões, debates ou ações que abram espaço para uma maior integração do nosso povo com esse continente, onde também se encontram as nossas raízes.

 

 Dr. Luiz Carlos Coelho, Fisioterapeuta, Militante da UNEGRO, Babálorixá Odeybáilê

 

Graduado em Fisioterapia, Pós-Graduado em Fisioterapia Pneumofuncional, Luiz Carlos Coelho é funcionário público. Sua atuação religiosa ocorre em Sepetiba, na Casa de Axé Ilê Ajubó de Ode. Nos contou que este é o primeiro espaço físico religioso de matriz africana da Unegro no Rio de Janeiro (União dos Negros pela Igualdade). Aqui ele foi diretor por quatro anos e desenvolveu várias atividades e encontros direcionados ao povo de axé, entre eles, o I Encontro de Negros e Negras em Sepetiba, além de dois Seminários sobre religiões de matriz africana.

Babálorixa, Odeybáilê, chamado Cacau d’Oxossi, sua iniciação ocorreu há 40 anos por Honorina de Souza conhecida como Babásiletomi. Pessoa marcante na sua formação religiosa, Honoria era filha de Aldair Teixeira, conhecido como Daíco de Oxumarê, do axé da finada Monadeuí de Aracajú.


AC: Como surgiu seu interesse pelo Continente Africano?

LC: Por ser a pátria mãe dos meus ancestrais, eu me obrigo a preservar, manter e cultivar essa memória.
AC: Por que você procurou a Pós-graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?

LC: Além da minha etnia, sou militante de movimento negro. E a presença constante das falácias e a fragilidade dos ativistas em relação ao Continente Africano, demonstradas em reuniões, assembléias, congresso e etc, me mostraram uma enorme necessidade de saber sobre a veracidade e o conhecimento histórico real do Continente Africano.

AC: Cite algum ponto de conteúdo que foi importante para você nesse processo?

LC: Verdadeiramente eu renasci em todos os aspectos ligados ao africanismo, minha linha de pensamento está inserida numa vertente de realidade palpável, lógica e tenho certeza que a minha discordância com a persistência do pedido de reparação dos movimentos negros, tinha e tem fundamento.

AC: Que autor lhe chamou a atenção durante o curso?

LC: Marco Aurélio Luz.

AC: Qual é o tema de sua monografia?

LC: “Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo de Pierre Fatumbi Verger”. Pretendo fazer uma resenha-roteiro desse livro.

AC: O que você poderia nos dizer sobre a sua experiência de aprendizado durante o curso?

LC: O curso é uma referência de qualidade indiscutível, um somatório de informações, relações e conjunturas. O corpo docente é constituído de mestres e doutores polidos de uma didática espetacular.

AC: Que conselho você daria àqueles que estão demonstrando interesse por esse curso?

LC: Ingressar com convicção, porque essa Pós-Graduação é um curso de excelência em Estudos Africanos.

As matrículas para o curso de Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência estão abertas. O curso tem duas modalidades de horário: Uma modalidade com duração de 13 meses e acontece, semanalmente, terças-feiras e quartas-feiras. Na outra modalidade o curso tem duração de 18 meses e acontece, quinzenalmente aos sábados. Para novos alunos há uma bolsa de 50%.

Não deixe de nos procurar pelo telefone (21) 2278-3975 e africa.consultingltda@gmail.com e ligue também para a Secretaria de Pós-Graduação: (21) 2221-9221 a partir de 15 horas. Acesse o site da Africa Consulting e veja a grade curricular.

 

 

GUARINI AMANI 2013: ACONTECEU!

No dia 15 de junho de 2013, na cidade do Rio de Janeiro, aconteceu o esperado Workshop Guarini Amani para capacitação interdisciplinar.  

O evento, realizado pela Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais e Global Logística e Empreendimentos, teve o apoio da Editora FTD, Selo Negro Edições, do Portal Olhar Indígena.

Foi um sucesso! Com um conteúdo sobre a implementação das Leis n°s 10.639/03 e 11.645/08 e temas como História da África, cultura africana, cultura indígena, cultura afro-brasileira, o programa capacitou profissionalmente cerca de 25 participantes brasileiros e angolanos, além de criar oportunidades de networking e troca de experiências entre os alunos.

Africa Consulting e Global Logística investindo em capacitação internacional: mais uma de suas áreas de atuação. Confira as fotos do evento:

 

Banner do Evento

 

 

Profª. Rita Barros, Diretora da Africa Consulting, realizou a capacitação

 

 

Participantes, entre eles, o Sociólogo Angolano Armindo Feliciano.

 

 

Participantes. À direita o jornalista Moisés Alcunha.

 

 

Sr. Fabrício Nery, Diretor da Global Logística, coordenando a logística pedagógica do evento.

 

 

Vista parcial. Ao fundo à direita, Sra. Priscila Silva da Editora FTD.

 

 

Entre o material pedagógico, vários documentários.

 

 

Momento de interação no coffee-break.

 

 

Interação entre os participantes no coffee-break.

 

 

Apresentação do livro Nós do Brasil, pelo antropólogo Marcelino Conti.

 

 

Sorteio de kit com obras literárias concedidas pelos parceiros Selo Negro, FTD, Paulinas.

 

 

Sra. Maria Imaculada Fleury, Psicóloga e Gerente Administrativa da Oásis RH.

 

 

Sra. Ana Laura, estudante do curso de pós-graduação em Estudos Africanos dirigido pela Africa Consulting.

 

 

Oficina de contos africanos com a Profª. Alessandra Mourão.

 

 

Oficina de contos africanos.

 

 

Alunos interagindo na oficina de contos africanos.

 

 

Mais um sorteio de kits literários.

 

 

Ao final da oficina de contos africanos, sorteio de kit literário.

 

 

Oficina de música com as professoras Maria da Graça, Georgina de Jesus e Maria de Lourdes.

 

 

Entrega de certificados, com a Sra. Shizuka Kishi pesquisadora do Consulado do Japão no Rio.

 

 

Sr. Fabrício Nery e Profª. Rita Barros com a turma Guarini Amani 2013!

 

Acesse o site e conheça mais sobre nossos cursos e serviços: http://africaconsulting.wix.com/africaconsultingltda

 

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UBUNTU – SER COM O OUTRO: DIA DA ÁFRICA!

“O homem não nasce “eu”, ele nasce “nós”. Quando cheguei, estava nas mãos deles; quando partir será também nas mãos deles”.

 

 

Imagem Silvia Cosimini - Criança Himba

 

 

 

 

 

 

Em 25 de maio de 1963, trinta Estados Africanos independentes fundaram a Organização da Unidade Africana (OUA) em Addis Abeba, capital da Etiópia. Em 2011 passou a ser chamada de União Africana. O objetivo principal dessa organização era “promover a unidade do continente, defender a soberania e a integridade territorial dos seus membros”. Em 1972 a Organização das Nações Unidas reconheceu a relevância dessa Instituição e decretou o dia 25 de maio como o Dia da África, simbolizando a luta dos povos do continente africano pela sua independência.

o somente a data, mas a minha experiência vivendo no continente africano e me relacionando com as pessoas ao meu redor, me inspira a postar no blog nesse momento. Primeiro para deixar a homenagem da Africa Consulting ao povo que vive nessa parte do planeta e àqueles que estão, em estado de diáspora, longe de suas casas e famílias. E começo deixando aqui o meu abraço aos amigos da Africa Consulting que partilham dos nossos sonhos e utopias. Com esses eu também aprendo muito. Este será um post breve. Apenas algumas reflexões:

 

O caminho para a convivência entre as pessoas, quaisquer pessoas, é o diálogo e o respeito mútuo. Falar sobre alguém é algo muito comum e bastante falho. Há muito tempo a prática de falar sobre a África vem gerando um conhecimento equivocado sobre a história desse continente e sobre as pessoas que nele nasceram e vivem. 

 

Quando vou ao encontro do outro para, tão somente, falar sobre ele, não estou indo ao seu encontro, estou indo de encontro a ele. Porém, quando meus passos realizam o desejo de experimentar o diálogo, vou para falar com e não para falar sobre. Simples assim. Já chega de falarmos sobre as pessoas que moram no continente africano e sobre as coisas que fazem ou deixaram de fazer. Concordo com o Prof. Ki-Zerbo que nos ensinou que “Em primeiro lugar, tudo está longe de ser negativo em África: há uma vontade feroz de viver, de viver na alegria e na solidariedade com os mais fracos, o que é um seguro de vida para todo o continente”. Disso eu sou testemunha ocular.   

 

Outro aprendizado importante que venho tendo trata da compreensão de que o desenvolvimento supõe uma mudança pessoal e coletiva nos espaços de relacionamento que resulta em positividade para todos. E, mais, o desenvolvimento deve ser uma experiência que faz com que a pessoa seja melhor do jeito que ela quer ser e não transformando a pessoa naquilo que ela não é. Não nos esqueçamos do perigo da “pele negra, máscaras brancas”. Se alguém for vitima sofredora do desenvolvimento, certamente algo está muito errado. Por isso aproveito para citar Musa Soro quando falava sobre o Prof. Ki-Zerbo: “Se o professor Joseph Ki-Zerbo se lançou nos estudos de história, é realmente porque, para ele, o estudo da história é a primeira coisa a fazer-se para devolver à África a sua identidade perdida e a sua dignidade ultrajada”.

 

E, por terceiro, reflito sobre aprender melhor a respeito das práticas da cooperação internacional. Tratar a cooperação como sinônimo do antigo termo “ajuda humanitária” parece um equivoco. Acaso o outro que “necessita” de ajuda humanitária não é humano? Temos que repensar sobre o sentido de ajuda porque a história já revelou bons desastres provocados ao continente africano e aos seus povos. Cooperação é parceria na responsabilidade conjunta com os outros, integrados, sujeitos ativos, autônomos para uma ação que possa gerar trabalho e renda e, não somente acúmulo unilateral de riquezas.

 

Por fim, reproduzo aqui, uma pequena parte do discurso de posse de Nelson Mandela quando foi eleito presidente da África do Sul que resume meus sentimentos nessa hora: 

 

“Nosso medo mais profundo não é o de que sejamos incapazes. Nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos além da conta. É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora. Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser Brilhante, Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso? Na realidade, quem é você para não ser tudo isso? Você é filho de Deus. Se fazer pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de iluminado em se encolher para que os outros não se sintam inseguros ao seu lado. Nascemos para brilhar como as crianças o fazem. Nascemos todos para manifestar a glória do universo que está dentro de nós. Não está apenas em alguns de nós: mas em todos nós. E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo. E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, liberta os outros."  (Nelson Mandela - discurso de posse da presidência da África do Sul, 1994)  

 

Saudações a todos que comemoram o Dia da África!

 

Sempre estaremos esperando seu comentário e sua participação.

Forte abraço!  

 

Profª Rita Barros

(Diretora da Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais).

 

CORAÇÃO DAS TREVAS

Em 1899 o escritor polonês Joseph Conrad diagnosticou em seu romance O Coração das Trevas/Heart of Darkness os interesses escusos, a violência e as arbitrariedades cometidas pelos “civilizados” imperialistas belgas (e por extensão por todos os demais países europeus possuidores de colônias no continente africano) no Congo, então propriedade do Rei Leopoldo II, monarca desse país. Mais de um século após, mesmo já liberto das amarras colonialistas a partir da década de 60 do século passado, a situação parece ter mudado muito pouco na hoje renomeada República Democrática do Congo. É o que nos conta de seu país o Padre Justin Munduala Tchiwala, graduado em Filosofia pelo Instituto São Pedro Canísio da capital Kinshasa além da formação de Estudos Teológicos no Instituto São Cipriano em Yaoundé, Camarões, entre os anos de 1992 a 1996.    

 

No Brasil desde 1997, membro da Congregação Missionária-Religiosa do Imaculado Coração de Maria, ele lutou pela melhoria da condição de negros e menos favorecidos na educação, iniciando então na cidade de Itabira-MG o pré-vestibular para alunos negros e de escolas públicas. Em 2003, foi transferido para a Paróquia N. Sra. de Fátima de Cabuçu, Diocese de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde permaneceu na direção até 2005. Em 2006, assumiu a função de Diretor do Centro de Direitos Humanos Dom Adriano Hypolito, na mesma Diocese. Nesta posição, o sacerdote e ativista social se notabilizou pela condenação da chacina da Baixada Fluminense, ocorrida em março de 2005 quando 29 pessoas foram assassinadas por policiais em Nova Iguaçu e em Queimados. Em sua opinião, à época, essas matanças não deixaram de acontecer pelo país: “Matam três pessoas aqui, outras cinco ali...”, afirmou, conclamando as autoridades municipais e estaduais para "...que a Baixada seja contemplada com políticas públicas para dignificar a vida das pessoas que aqui moram". De 2007 a 2008, pós-graduou-se como analista internacional na UFRJ. Essa febril disposição para a luta alimenta no vigário um saudável ceticismo pela implementação de verdadeiras transformações das condições dos menos afortunados no país: “Será que o presente melhorou? Ainda não. Então não podemos nos calar”.

 

A entrevista foi realizada pela Diretora da Africa Consulting, Profª Rita Barros, via e-mail entre os dias 15 e 27 de janeiro de 2013.

Padre Justin Munduala Tchiwala

RB: Inicialmente quero agradecer ao Pe. Justin pela disponibilidade e acolhida ao nosso convite, principalmente pelas importantes informações sobre o que está ocorrendo na República Democrática do Congo. Todos os leitores estão convidados para participar dessa reflexão que faremos a partir de agora. Deixem os seus comentários!

Pe. Justin, poucos conhecem o território africano e seus povos. Qual é, na sua visão, a principal beleza desse continente?

 

PJ: Situado de um lado e do outro da linha do Equador, o continente africano oferece uma gama de variedades e diversidades tanto na sua fauna quanto na sua flora. Podemos partir da floresta na região equatorial passando pela savana até chegar ao deserto. Exuberantes rios e lagos (como Nilo, Congo, Zambeze, Senegal, Chade, Tanganyika etc.) banham o continente, auxiliando na pintura de uma maravilhosa paisagem de jogos de cores naturais. A alternância de montanhas, colinas, vales e planícies no leste se conjugam para formar uma escultura de beleza ímpar.

A diversidade linguística leva à outra diversidade, cultural, onde, dentro do mesmo país, pode-se navegar de uma cultura a outra, de uma língua para outra, com tamanha naturalidade como se fosse passar por diferentes países. A hospitalidade, a alegria, o valor da vida, o senso religioso, a solidariedade, a arte, música e dança são alguns elementos que podemos ver no componente populacional desse continente.

 

No subsolo prolifera infinita diversidade de riquezas, como se a natureza escolhesse apenas aquele continente para esbanjar tudo quanto tinha da sua generosidade: petróleo, ouro, diamante, cobre, estanho, ferro, urânio e, agora, o colombo tântalo (coltan) etc., motivo de desejo internacional voraz e razão de guerras alimentadas em vários cantos da África. 

Imagem Nicolas Raymond, 1126105. Peninsula do Cabo, Africa do Sul

 

RB: Quais são, na sua opinião, as principais características e peculiaridades do povo da República Democrática do Congo?

 

PJ: Em geral, falar de características principais do Congolês é pintar aquilo que é conhecido por todos quando se fala do negro africano em geral: povo alegre, que ama música e dança, trabalhador e, na condição de hoje, lutador, hospitaleiro, solidário, onde há fortes laços na vida comunitária (sentido de família, clã, povo e sociedade) impactando na vida do indivíduo, que existe e se realiza através da comunidade. Povo religioso por natureza, com crença sólida na vida que continua após a morte, pacífico e de fácil relacionamento. Povo multicultural que desde cedo convive num espaço intercultural. Assim, pode adaptar-se em qualquer outra sociedade sem dificuldade.

 

RB: O senhor identificaria uma grande quantidade de etnias em seu país?

 

PJ: Não sei a conotação ou sentido da palavra etnia nessa pergunta e nem posso responder segundo o sentido a ela atribuído pelos sociólogos ou antropólogos, especializações que não possuo. Entretanto, há uma diferença prévia a se estabelecer entre etnias, tribos, povos, etc. que não é o objeto desta entrevista.

Quando você fala de etnia, não sei se você entende por lá os que falam a mesma língua, diferente da dos outros, tendo a mesma cultura e pertencendo a um mesmo grupo. No Congo, como na África, em geral, numa época bem remota, na raiz de cada grupo populacional, a língua distinguia os povos. Com o fenômeno migratório e os contatos entre vários grupos ou várias tribos, pelo processo de aculturação ou assimilação, um grupo ou uma tribo passa a falar a língua do outro. Portanto, a língua não pode ser considerada hoje como fator principal para distinguir uma etnia da outra.

Os historiadores elencam uma variedade de 200 a 450 línguas!(i). O historiador Isidore Ndaywel è Nziem fala de 365 etnias no Congo (ii) sem, entretanto, entrar em detalhes de pequenos grupos que, acredito, não foi possível tomar em conta. Historiadores, sociólogos e antropólogos estão de acordo em classificar os povos do Congo em quatro principais grupos: bantu, sudanês, nilóticos (camitas) e pigmeus. Classificação essa feita na base de dados linguísticos. Classificação que pode ter uma ligeira alteração tanto em relação aos nomes quanto ao conteúdo, dependendo de cada autor(iii).

 

RB: Pe. Justin, nos situe no atual sistema de governo na RDC?

 

PJ: Como o nome do país sugere, entende-se que o país deveria ser uma república, com sistema de governo democrático, com a pretensão de um Estado de Direito tendo, em princípio, a separação entre os três poderes. O regime é semi-presidencial. Todavia, os fatos tendem a desmentir tal pretensão.

 

RB: Quando foi a última vez que o senhor esteve no Congo?

 

PJ: Minhas últimas férias que ocorreram de 07 de fevereiro a 04 de junho de 2012. Passei quatro meses no Congo e, assim, pude me atualizar sobre a situação que ali prevalece, tanto no campo político como socioeconômico e cultural. Tive a alegria de participar no vigésimo aniversário dos Mártires da Democracia em 16 de fevereiro de 2012, celebrando a memória da Marcha pela Reabertura da Conferência Nacional interrompida pelo regime Mobutu e Nguza Karl i Bond, 20 anos atrás, apesar da forte repressão do atual governo que mostrou ser mais autoritário do que o regime de Mobutu. A caminhada reclamava a verdade das urnas, pois o povo entendia que as últimas eleições não foram transparentes e houve fraudes(iv). 

Refugiados veem helicóptero da ONU aterrissar em campo das forças de paz

(Uriel Sinai / Getty Images)

RB: Vamos falar sobre a situação de guerra civil na República Democrática do Congo. Ela teria suas raízes a partir da independência, na década de 60 do século XX, e nas fases de luta pelo poder que se sucederam. Agravada desde os anos 90, motivações políticas, étnicas e interesses internacionais são os elementos que colaboraram para a construção de um cenário de destruição e violência segundo a imprensa. Em sua opinião, por que o conflito em seu país é tão difícil de ser encerrado?

 

PJ: Concordo com a observação. Entretanto, não sei se podemos afirmar que a guerra civil tem suas raízes na RDC logo após a independência. Depende, mais uma vez, do que entendemos por guerra civil. Muitas vezes os conflitos armados na África são reduzidos à mera questão étnica ou de guerra civil. Isso tem como implicação a indiferença total do mundo perante a exterminação do povo que ali se encontra. Há quem avance a tese de recolonizar a África para conseguir a paz. Saudosismo do tipo neocolonialista, com certeza. Para não me alongar, quero dizer aos que não entendem a realidade da RDC, que não há guerra civil nem étnica. Pois nesses grupos armados encontram-se as mesmas tribos ou etnias dum lado como do outro de grupos em conflitos. E em cada grupo rebelde, há várias culturas, línguas, povos misturados. Se houvesse guerras étnicas o Congo, com mais de 450 grupos étnicos, nunca teria uma consciência nacional. O que é falso. Onde há apenas dois ou três grupos étnicos dominantes, como em Ruanda e Burundi, ali podemos reduzir as rivalidades à questão étnica, mesmo se a realidade e os fatos comprovam a instrumentalização da questão étnica.

Devemos considerar o fato de África entrar na era da Guerra Fria logo após sua independência. É fato que muitas potências coloniais não quiseram aceitar a independência de suas colônias. A Bélgica queria que a RDC ascendesse à independência somente a partir da década de 80 do século passado. Angola ainda permaneceu sob o regime colonial até 1975.  A África do Sul aboliu a apartheid em 1990 com a libertação de Mandela após 28 anos de prisão. Como em outros países da África, houve muitas tentativas de boicote ou entrave ao processo da independência pelos colonizadores. A Bélgica promoveu abertamente a secessão do país, com a politica de dividir para melhor reinar. A província de Katanga de Moise Tshombe já estava nas mãos de para-comandos belgas e mercenários que eles alugaram. Os Estados Unidos entraram no jogo para aniquilar a influência cada vez mais crescente do primeiro ministro Patrice Emery Lumumba que era muito estimado pela população e chamado de Pai da Independência do Congo, acusado de ser socialista(v). As duas províncias do Kasai também ameaçavam separar-se. Assim, podia-se elencar no país as rebeliões de Tshombe em Katanga, de Mulele em Kasai, os grupos de Lumumba na Provincial Oriental, Kivu, uma parte de Kasai e Kinshasa, os grupos de Kasavubu, primeiro presidente, em Bandundu e Bas-Congo, estando a província do Equador nas mãos do chefe do Estado maior das Forças Armadas do Congo, o tenente-coronel Mobutu, que gozava da estima da CIA e que foi o mentor de vários golpes do Estado, partindo da prisão do primeiro ministro Lumumba em setembro de 1960 sob o olhar cúmplice dos Casques Bleus (força de manutenção da paz da organização, os capacetes azuis) da ONU(vi), até a ascensão dele ao poder em outubro de 1965.

Para entender a razão pela qual a guerra não termina na RDC é preciso conhecer os atores, direta ou indiretamente, em jogo de um lado e do outro, a geopolítica na região da África Central.  Brevemente, é preciso partir da independência em 1960 e dos 32 anos do governo Mobutu no país. Como já disse, ele recebeu todo apoio necessário dos Estados Unidos e da Europa para assentar o poder capitalista no meio de governos socialistas como Zâmbia, Tanzânia, Angola, Congo-Brazaville. O fim do socialismo decretado por Mikhail Gorbatchev, com a Perestroika, abriu a onda da democracia na África, particularmente nos países da Francofonia. Com o fim do socialismo, o jogo político na África passa a sofrer a extensão da influencia estadunidense de um lado e, de outro, a francesa. Uma tríplice aliança composta de Burundi, Ruanda e Uganda levará à queda da era Mobutu. Países que tiveram e continuam recebendo hoje apoio incondicional dos Estados Unidos. O genocídio em Ruanda e Burundi são outros fatores a se considerar, colocando esses países sob a proteção internacional, fora de sanções da comunidade internacional e no abrigo de ameaças por outros países, justificando desta forma a impunidade.

Desses países partirão milhares de refugiados hutus como tutsi para o Congo, não só antes como depois do genocídio em Ruanda e Burundi e, também, as forças armadas que ajudaram Laurent-Désiré Kabila a derrubar Mobutu do poder em 1997. Esses dois países entram em jogo, alegando caçar os Interahamwe, hutus refugiados no Congo, acusados de genocídio, além de outros interesses ocultos, como a tentativa de balcanização do Congo pelo governo ruandês frequentemente denunciada hoje em dia.

Quanto à exploração de matéria prima, basta o ditado onde há cadáver, ali estarão os urubus. A presença do petróleo, cassiterita, wolframato, gás natural, coltan (com os derivados columbita e tantalita, minérios de grande valor na indústria cibernética como para naves espaciais), diamante, ouro, marfim, inclusive a biodiversidade da fauna como da flora não escapam ao saque desses predadores e multinacionais. O analista político malaio Nile Bowie acusa os Estados Unidos de fornecer armas e prover treinamento de milícias e rebeldes ugandeses e ruandeses que invadiram a RDC de 1996 a 2003, guerra econômica de um lado e, de outro, para frear o avanço do gigante chinês no continente(vii). Onde essas potências apoiam uma exploração ou uma guerra, ninguém pode dizer nada e a opinião internacional se faz cúmplice de genocídio que ali prevalece pelo seu silêncio. É a lei do mais forte! Eis a única razão pela qual a guerra tende a continuar e não há como pôr fim nisso. Não podemos esquecer-nos da incompetência, incapacidade e irresponsabilidade das autoridades políticas congolesas que se deixam prostituir ao custo da vida de sua população. 

Coltan – RDC/Imagem hospedada na Aldeia Global

RB: A ONU declarou que o Congo é a capital mundial do estupro. O que está acontecendo lá? O estupro cometido é uma arma de guerra?

 

PJ: Infelizmente o crime de estupro é realidade como seu uso para fins bélicos. Há os que alegam que serve também para espalhar a Aids(viii) no meio do povo congolês, levando ao genocídio lento. O que mais revolta é que tal crime acontece debaixo do nariz da MONUC, hoje MONUSCO (Missão das Nações Unidas para a Estabilização da RDC), principalmente em Kivu, no leste. Em 2008, a MONUC alegava não ter suficiente pessoal para frear os ataques de rebeldes FDRL (FDLR - Democratic Liberation Forces of Rwanda) de Laurent Nkunda como também o grupo de rebeldes ugandês LRA (Lord´s Resistance Army, i.e., Exército da Resistencia do Senhor de Joseph Koni). Uma simples comparação nos dá uma ideia assaz revoltante: A MONUC tinha 17 mil soldados no campo, contra 5 a 6 mil homens da FDRL. Como a missão é de observação e não de paz, essa guerra já vitimou mais de 5 milhões de congoleses sob o olhar indiferente da comunidade internacional. Por isso, o povo acredita que a ONU atiça a guerra no Congo. Houve vários confrontos da população contra a presença da MONUC no Congo. E, segredo de polichinelo, ela cuida mais da exploração de riquezas do país do que da paz pela qual foi ali enviada. A cada vez, tenta penetrar mais no interior do país onde a presença dela não é necessária, porém, em lugares cheios de riquezas, agindo como qualquer traficante ilegal naquelas regiões ensanguentadas.

Rebeldes e milícias vão saqueando povoados, queimando suas moradias, estuprando mulheres na presença de seus maridos que eles acabam matando depois, levando meninas e mulheres como reféns e escravas deles, não somente para trabalhar, mas para servir de objetos de satisfação sexual. Muitas mulheres são reféns desses grupos. Em alguns lugares as mulheres não podem mais ir sozinhas pra trabalhar no campo. Estão sendo atacadas diariamente. O que degrada a situação social de um povo cuja renda provém da terra. Infelizmente, os soldados do exército nacional praticam os mesmos crimes contra a própria população. O estado está completamente ausente ou morto e a ONU fornece somente relatórios. 

Imagem Christian Aid e Will Storr

RB: O que o senhor pode nos dizer sobre o recrutamento de crianças para lutarem nesse conflito?

 

PJ: Crianças e adolescentes são vítimas de uma política desastrosa e caótica dos governantes. Esse recrutamento, ao meu conhecimento, iniciou-se com a chegada de Laurent-Désiré Kabila em sua incursão para tomar o poder, desde 1996. Apoiado pelos países supramencionados, ele ingressou com um exército de crianças e adolescentes apelidados de Kadogo em língua swahili, que quer dizer Menorzinho. Na fase de crescimento do ser humano, entendemos a psicologia do adolescente: rebelde por natureza, pois se opõe à autoridade parental em busca da construção da própria identidade ou personalidade. Portanto, é a fase por excelência de lavagem de cérebro com fim de domesticação da violência e rebeldia nele. E, não sendo totalmente responsável pelos seus atos, ele aprende a matar como se fosse brincadeira e está pronto a cometer qualquer tipo de crime sem refletir. Por isso são mais recrutados e também raptados pelos rebeldes e milícias. Podemos pensar nos adolescentes brasileiros no mundo do tráfico. Isso é triste demais, pois arma não pode ser brinquedo nas mãos de crianças. Elas não têm mais futuro. Elas matam e roubam, senão não sobrevivem. A situação se torna pior referindo-se ao futuro de uma nação, de um país. Quem é que vai construir a sociedade uma vez que a geração dos adultos passar? O futuro duma nação está completamente arruinado.

 

RB: Essa guerra estaria, dessa forma, produzindo mão-de-obra escrava?

 

PJ: Qualquer pessoa que executa um trabalho sem a própria vontade é uma escrava. Esses meninos, meninas e mulheres capturadas e levadas no mato para servir os rebeldes são escravos porque executam trabalho forçado. O próprio exército nacional está em situação de escravidão. Pois não é possível que a pessoa que serve a nação ou deve dar sua vida pela pátria receba um salário mensal de miséria estimado de 50 a 90 dólares. Os professores, médicos e outras classes trabalhadoras no país passam pela mesma situação. Por isso a situação do país se degrada cada vez mais, apesar de a riqueza do país estimada, no que diz respeito ao valor bruto de minérios, se elevar a 2400 trilhões de dólares.

 

RB: Na sua opinião, por que o mundo, de uma forma geral, não se    importa com o sofrimento vivido por milhares de congoleses?

 

PJ: Em primeiro lugar, o mundo não se importa porque não sabe da verdade sobre a situação da RDC. Não sabe porque não há versão correta veiculada pela mídia sobre as raízes da guerra que permanece nesse país. Alguns que se dizem especialistas da África fazem leitura unilateral tomando parte ou defendendo os interesses do local a partir de onde falam. Na era da velocidade das informações, a desinformação é a arma que usam os que detêm o monopólio da mídia para defender seus interesses, ainda que diabólicos sejam. Como diz o ditado: o fim justifica os meios. Infelizmente, e não é somente hoje, a busca da riqueza sempre dizimou populações e povos indefesos no mundo, desde a antiguidade. A própria escravidão e a história de colonização ainda testemunham tais fatos. Em segundo lugar, onde há potencias internacionais com suas multinacionais, os países de origem das multinacionais tendem a acobertar os crimes praticados por elas em nome dos próprios interesses. Dane-se quem se colocar na contramão de seus projetos! O mundo está em crise. A exploração ilegal de riquezas do país serve para enriquecer os países em crise, pois é lá que se encontra o destino final desses minérios de sangue. Eminentes autoridades da Bélgica e dos Estados Unidos declararam abertamente que a RDC é muito rica e não é justo que essa riqueza beneficie apenas um povo ou uma nação. Mas elas não sabem, ou melhor, não querem saber, que essa riqueza nunca aproveitou ao povo congolês que continua jazido na miséria. Por fim, enquanto os Estados Unidos continuarem com essa política internacional de apoio aos países agressores nunca haverá paz no Congo. É estranho que a comunidade internacional ainda não fale de genocídio após a guerra ter dizimado de cinco a seis milhões de congoleses. Eu mesmo continuo me perguntando o porquê dessa indiferença após tantos clamores já levantados em todos os âmbitos da comunidade internacional. Até o momento, a única voz de personalidades influentes que se levantou tantas vezes é a dos dois últimos papas: João Paulo II e Bento XVI. 

Minas de Coltan – RDC/Imagem hospedado no etleboro.blogspot

RB: Que mensagem o senhor gostaria de deixar para os brasileiros a partir dessa entrevista?

 

PJ: O Brasil hoje está conquistando espaço em nível internacional e se faz muito ouvir em qualquer momento em que aconteça uma cúpula dos Estados, seja no G20, nos BRICs e na ONU. Espero que as autoridades brasileiras não fiquem alheias e nem cúmplices do que acontece no Congo e peço que usem de sua influência para mudar essa política. Gostaria também de dizer que o modelo da Missão da Paz que o Brasil levou para Haiti seja a referencia para o conflito que prevalece no Congo. Seria bem melhor se a missão de MONUSCO hoje no Congo fosse sob o comando brasileiro. Chega de missão de observação que torna a ONU objeto de gozação(ix).

Na área econômica, o Brasil que expande seus negócios para África deve privilegiar o capitalismo humano e social, não a busca de riqueza pela riqueza, sacrificando e pisando na vida de muitos africanos que trabalham em suas empresas. Que ele promova também uma política econômica com decência, respeitando as leis dos países africanos e contribuindo para o bem-estar socioeconômico do povo africano. Enfim, se o mundo inteiro permanecer indiferente à questão congolesa, que o Brasil e seu povo, usando da diplomacia e outros meios ao seu alcance, manifeste bem forte a sua indignação perante o genocídio do povo congolês, em união com muitos que lá gritam e clamam por uma sociedade de direitos e o fim dessa guerra que foi exportada forçosamente para lá.

 

NOTAS:

i.Veja artigos sobre a República Démocratica do Congo pelos sites: http://fr.wikipedia.org/wiki/R%C3%A9publique_d%C3%A9mocratique_du_Congo#Ethnie; http://www.tlfq.ulaval.ca/axl/afrique/czaire.htm . Vou me referir nessa entrevista à monografia que fiz na conclusão da pós na UFRJ: Justin Munduala Tchiwala, cicm., Geopolítica Africana Pós-Guerra Fria na Região dos Grandes Lagos: Burundi, Rwanda, República Democrática do Congo, RJ, UFRJ, 2008.

ii.Ndaywel è Nziem I., Histoire du Zaire. De l´héritage ancien à l´âge contemporain, Louvain-la-Neuve, Duculot, 1997, carte 14.

iii.Para mais detalhes, veja os diversos volumes da HISTÓRIA DA AFRICA publicados pela UNESCO, também o livro do Silva (Alberto da Costa e), A Enxada e a Lança. A África Antes dos Portugueses, Ed. Nova Fronteira, RJ, 3ª. ed., 2006.

iv.Joseph Kabila Kabange foi reeleito presidente em 28 de novembro de 2011. A Sociedade Civil composta pelo Movimento dos Leigos da Igreja Católica, a Oposição Política e as organizações de Direitos Humanos denunciaram falta de transparência e fraudes que aconteceram de maneira descarada. No dia 15 de fevereiro de 2012, véspera da caminhada, os governos dos Estados-Unidos, Reino Unido, Bélgica e França reconheceram o governo de Kinshasa. O que foi tido como banho da água fria sobre o povo congolês.

v.Sobre a morte de Lumumba, veja Ludo De Witte, L´ASSASSINTA DE LUMUMBA, Paris, Karthala, 2000.

vi.Em agosto de 1960, a ONU já tentava derrubar o governo de Lumumba, dois meses apenas após a acessão do país à independência. É dificil pensar que a ONU esteve um dia no Congo para defender sua população. Cfr. A obra do De Witte é mais do que expressivo nesse sentido.

vii. Nile Bowie, L’AFRICOM des Etats-Unis et la militarisation du continent Africain : Le combat contre l’implantation économique Chinoise, abril de 2012. Pode encontrar a versão inglesa do mesmo artigo no site http://nilebowie.blogspot.com/2012/04/lafricom-des-etats-unis-et-la.html .

viii. Notícias e reportagens proliferam nos sites confiáveis sobre o uso do estupro para espalhar aids pelos rebeldes ruandeses, ugandeses, burundeses e mesmo congoleses na província de Kivu. Veja por exemplo Le viol comme arme de guerre: Le combat d´une survivante, Euronews, 27  de abril de 2012 e o  video Le viol, une arme de guerre au Congo, http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=5r_u-FDro6s#t=0s.

ix. Béatrice Pouligny, Ils nous avaient promis la paix.  Opérations de l´ONU et populations locales, Presse Sciences Po, Mayennes, 2004.

“SE FICAMOS NEUTROS PERANTE UMA INJUSTIÇA, ESCOLHEMOS O LADO DO OPRESSOR”

Prêmio Nobel da Paz, militante dos direitos humanos e engajado na luta contra o apartheid, o Arcebispo da Igreja Anglicana na África do Sul, Desmond Tutu disse: “Se ficamos neutros perante uma injustiça, escolhemos o lado do opressor. Se o elefante está pisando o rabo do camundongo e nós nos pronunciamos neutros, com certeza o camundongo não apreciará tal neutralidade”. Esse pensamento reflete bem a forma como as nações do mundo se posicionam ao longo da história. E, atualmente, parece que há uma desordem mundial, basta olharmos para os últimos acontecimentos. É sobre isso que vamos tratar. Para nos ajudar nessa reflexão, convidamos o Dr. Fernando Roberto de Freitas Almeida, carioca, Professor adjunto do Instituto de Estudos Estratégicos da UFF.

 

Doutor em História Política concentrando suas pesquisas na área de Relações Internacionais e Mestre em História, ambos pela UERJ. Nos anos 70 graduou-se em Ciências Econômicas pela UERJ e passou um ano estudando Ciências Sociais na UFF. Cursou o Mestrado em Desenvolvimento Agrícola na FGV, programa atualmente sob a gestão da UFRRJ, e fez graduação em História e Civilização pela Université de Nancy/Aliança Francesa. Autor do livro Do Grão ao Pão: O trigo nas relações entre o Brasil e a Argentina e, também, coautor dos livros “Historia das Relações Internacionais: teoria e processos”, Agricultura Brasileira” e “Cigarro Brasileiro: Análise e Propostas para a Redução do Consumo”.

 

O interesse pela área de Relações Internacionais vem desde o seu trabalho como economista do Centro de Estudos Agrícolas, do Instituto Brasileiro de Economia, na FGV. Ainda redator da revista Agroanalysis, acompanhava a agricultura mundial, chamando sua atenção para a forma como os estoques de alimentos vinham sendo usados como um tipo de arma, durante a Guerra Fria. Nos anos 80 e posteriormente, com a aproximação entre o Brasil e a Argentina, após a Guerra das Malvinas, e a criação do Mercosul,  passou a escrever artigos a respeito da integração sul-americana.

A entrevista foi feita via e-mail pela diretora da Africa Consulting, Profª Rita Barros, entre os dias 17 e 27 de janeiro de 2013. 

  

Dr. Fernando Roberto de Freitas Almeida

  

 

RB: Para começar quero agradecer a disponibilidade e o carinho do Dr. Fernando Roberto que nos ofereceu mais uma oportunidade para entendemos melhor o que está acontecendo no continente africano. Espero que os leitores possam aproveitar e participar desse debate.

Professor Fernando, vamos falar sobre Brasil e África. Acordos bilaterais entre o Brasil e alguns países desse continente, temas como afrodescendência, quotas para negros, grande presença de africanos morando no país, movimento negro, obrigatoriedade do ensino sobre cultura africana, enfim, temas recorrentes. Porém, em sua opinião, o brasileiro conhece realmente a África e os Africanos?

 

FR: Infelizmente, o brasileiro, mesmo o de ascendência africana, sabe muito pouco sobre a África, como sabe pouco sobre temas internacionais, em geral. Aliás, saber sobre a África é algo complexo, como saber sobre a Ásia ou sobre a Europa. O que é a África, o que os próprios africanos acham que ela é? O continente africano é um mundo muito extenso, composto de vários outros mundos: muçulmano, politeísta, cristão, com várias etnias, com uso de muitos idiomas nativos e locais... Em nosso país, sabe-se agora que um dos povos originais era negro, o “povo de Luzia”, que vivia na região de Sete Lagoas e quantos brasileiros sabem disso? O Brasil já procurou a aproximação com a África, desde o início dos anos 60, quando ainda apoiava o colonialismo português e, nos anos 70, houve um esforço do Itamaraty e de estatais brasileiras para maiores contatos com países africanos. Neste tempo, a política desenvolvida para Angola foi inovadora e muito corajosa. Contudo, por terem sido basicamente movimentos de base econômica, não houve transmissão de conhecimentos para a população. No governo Lula, com a retomada de uma política externa assertiva e digna, os contatos com a África se amiudaram e a imprensa, mesmo não tendo maior preocupação com o tema, teve que noticiar pelo menos as viagens presidenciais.

 

RB: Passemos para os conflitos que estão acontecendo. Primavera árabe, guerras étnicas, islamismo, quedas de governos, reféns, petróleo, coltan, reservas de minérios, são algumas chamadas que aparecem na imprensa. No entanto, pouco se explica. O que está acontecendo no continente africano?

 

FR: Estão acontecendo as repercussões de tensões antigas e modernas, como em todos os lugares, mas com o agravante de que as fronteiras locais não foram definidas pelos mais interessados, os próprios africanos, que também não escolheram as formas de governo mais adequadas a suas tradições. Havendo uma situação atual de aparente crise sistêmica, com o centro do sistema internacional se deslocando da bacia do Atlântico para a do Pacífico, com a África bem no meio, já se teria uma época de muitas possibilidades. A chamada Primavera Árabe teria um desenvolvimento bastante diferente se as iniciativas nacionalistas e integracionistas, adotadas nos anos 50 e 60, não tivessem sido desbaratadas pelas ações conjuntas dos EUA e europeus com elites reacionárias ligadas principalmente à exploração do petróleo. Sobraram poucos interlocutores de esquerda laica, por exemplo. Considerando então a enorme riqueza africana e o fato de que também por lá se desenvolve uma nova classe média imensa, vê-se que as novas potências regionais em ascensão juntam-se às velhas, procurando, no mínimo, definir parcerias para a exploração dos recursos do continente. Há alguns anos, apenas empresas europeias, americanas e, em menor escala, japonesas, tinham acesso aos mercados e às jazidas africanas, mas agora isto se disseminou, com os chineses à frente. O Brasil, como um país que prega e pratica iniciativas pacíficas na Cooperação Sul-Sul, também participa. Partes extensas da África precisam ainda organizar suas identidades étnicas em unidades políticas convenientes a seus interesses, mas isto sempre acarreta intervenções e interferências das ex-potências coloniais e dos EUA, que se veem como gerentes da estabilidade no sistema global.

 

RB: Nesse exato momento, várias regiões na África estão em conflito armado. Muitos estão morrendo. Alguém lucra com os conflitos que estão acontecendo?

 

FR: A mera impossibilidade de se ter uma organização nacional forte, compatível com as tradições locais, traz lucros. Regimes autoritários que entregam seus recursos a estrangeiros, que não investem decisivamente na formação cultural e profissional de seus povos. Como se dá a exploração petrolífera na Nigéria, por exemplo? Os países desenvolvidos de fato só se preocupam com as tragédias humanitárias em vários pontos da África quando há fluxos migratórios para eles, em busca de uma vida melhor. Contudo, a desagregação política, em áreas como a Somália, mostra que o aparecimento de Estados fracassados pode ser motivo de dificuldades para a realização de negócios importantes. Neste aspecto, o surgimento de uma metodologia para a intervenção nestes Estados, com uma lógica disfarçadamente assistencialista, acarreta mais crueldade, imediatamente, e acarretará problemas imprevisíveis, no futuro.  Enquanto isto, ganha-se muito, também, com a reconstrução, em uma lógica de curto prazo, como mostrou bem a canadense Naomi Klein, no livro “A Doutrina do Choque”.

 

RB: As potências europeias e os EUA culpam os muçulmanos, normalmente chamados de extremistas e terroristas, por essa onde de instabilidade. Qual é o problema com os seguidores de Maomé?

 

FR: É interessante identificarem problemas com os “seguidores de Maomé”. Vejo a todo momento referências a isto na imprensa e na blogosfera. Por que eles não são um problema no Brasil, onde são uma das muitas comunidades no país? Seria porque não houve restrições maiores à sua forma de crer e de se organizarem, neste espaço nacional? Nos seus próprios espaços, há décadas têm que dar satisfações a potências estrangeiras. Devem existir Direitos Humanos básicos universais, mas se deve abandonar a ideia de superioridade de uma cultura sobre a outra. A civilização islâmica teve comportamentos belicosos não diferentes de outras no passado e também construiu e manteve não apenas edifícios concretos belíssimos, mas também construções intelectuais belíssimas. Contudo, o que foi a vida nesses países ao longo dos séculos XIX e XX? Um período de atraso tecnológico no Islã e de enorme agressividade dos europeus, desmontando o Império Otomano e agredindo todas as culturas diferentes não pode ser esquecido assim. O ex-presidente François Sarkozy fez um discurso lamentável no Senegal, onde disse que o homem africano não tinha entrado na História. Ficaram todos perplexos.

Mesquita - Cairo (imagem Ibet)

 

RB: Vamos falar de um exemplo recente de conflito. O presidente da França declarou que está cumprindo um acordo com o Governo do Mali que, segundo ele, pediu proteção contra os radicais islâmicos. Quem são os radicais islâmicos? O que está acontecendo no Mali?

 

FR: Mais uma vez, as questões do colonialismo aparecem. O Mali foi um império muçulmano notável, no século XIII. Quando se tornou colônia francesa, em 1898, foi rebatizado como Sudão Francês. A maioria da população (87% são muçulmanos) vive ao longo do rio Níger. O norte do Mali tem identidade forte e é historicamente ocupado pelos nômades tuaregues, que haviam sido deslocados para outros países, devido à seca. Desde 1991, há confrontos entre o Exército nacional (a capital Bamaco, fica no sul, na fronteira com a Guiné) e a cidade de Timbuctu é um centro culturalmente importante. Em 2009, o governo central tomou as bases dos guerrilheiros, mas o grupo chamado Al Qaeda no Magreb Islâmico, AQMI, iniciou uma forte reação, que levou países vizinhos, Mauritânia, Argélia e Níger, a assinarem um acordo com o governo malinês, para cooperarem contra a guerrilha. Criar o Estado de Azawad é um projeto dos nortistas e houve intensa migração de transportes e armamentos da Líbia para lá.

 

RB: François Hollande é um presidente socialista. Invadiu o Mali com apoio da União Europeia e da ONU. Agora espera por tropas africanas que engrossarão as fileiras. Isso não parece um tipo de déjà vu colonialista?

 

FR: Parece e ele está sendo cobrado por isto, até porque havia declarado que não enviaria mais tropas francesas. Também parece que estão esquecendo as experiências fracassadas da Argélia e da Indochina, nos anos 50. Um valor importante para os políticos franceses é a glória nacional e eles exploram isto, em tempos de crise.

 

Manifestação - Mali (Agência Reuters)

 

 

RB: Vejamos outro caso. A ONU declarou a República Democrática do Congo como a capital mundial do estupro. Lá, a cada 60 minutos mais de 40 mulheres são estupradas com requintes de crueldade. Aproximadamente 6 milhões de pessoas já morreram nessa guerra desde 1996. Atualmente mais de 50 mil pessoas morrem por mês. Por que a Bélgica, ex-metrópole, não protege o Congo? Por que as potências não ajudam o Congo?

 

FR: O colonialismo belga foi considerado o pior do mundo, o que quer dizer bastante, e hoje a Bélgica não tem recursos de poder para intervenções assim. Além disso, a própria Bélgica enfrenta problemas com sua existência, com o separatismo defendido pelo partido Nova Aliança Flamenga. Quanto à República Democrática do Congo, é um país enorme, bastante conturbado, com quase o dobro do território do Mali e 68 milhões de habitantes, enquanto o Mali tem 16 milhões. É um dos países de maior potencial do mundo, com grandes reservas comprovadas de cobalto, cobre, diamantes, estanho, nióbio e ouro e muita corrupção envolvida na extração e comercialização. Até 2002, havia no território congolês tropas de Angola, Namíbia, Ruanda e Zimbábue. Já existe uma grande força de paz da ONU, a maior do mundo, em meio a conflitos étnicos muito violentos. Aliás, a ONU apoia o Exército da República Popular, conhecido pela truculência.

   

Tropas de guerra - República Democrática do Cong (Agência Reuters)

   

RB: De 2010 pra cá temos a impressão de que o mundo, de uma forma ou de outra, vive um intenso conflito. Sejam os problemas da fome, da miséria, alguns extremamente ricos e milhares extremamente pobres, confrontos armados, lutas pela democracia, o lucrativo comércio de armamentos, enfim, a lista de questões pode ser grande. Isso tudo que está acontecendo parece orquestrado? Do seu ponto de vista, quem são os donos do mundo?

 

FR: Primeiramente, lembremos que já temos mais de duas décadas de predomínio de um ideário anti-humano, usualmente chamado de “neoliberalismo”, que foi criticado, mas não eliminado, principalmente em países sul-americanos, cujas elites o haviam acolhido tão bem. A Argentina, por exemplo, foi chamada de “melhor aluna do FMI” e colheu os frutos de suas boas notas há dez anos. Os donos são os mesmos de muitos anos: um comitê gestor internacional, formado por elites da Tríade EUA-União Europeia-Japão, com alguns poucos recém chegados. Evidentemente, elites periféricas, que entronizaram a função de capatazia do sistema, preferindo acharem-se membros de uma “comunidade internacional” e diferentes, ou até hostis ao próprio povo a que pertencem compõem este quadro. Estes problemas citados são recorrentes e podemos lembrar que Ferdinand Braudel, em conversa com nosso ex-ministro Rubens Ricúpero, nos anos 70, disse que aquela década era o início de uma crise civilizacional, que duraria muito tempo. Ricúpero, anos depois, disse que, ao ouvir aquilo, achou exagerado, mas agora concordava. Neste cenário de crise sistêmica, podemos não estar atentando devidamente para o impasse da Revolução Industrial. Tem-se a impressão de estarem todos vivendo, como no jargão de mercado “da mão para a boca”. Imediatismo, saque da natureza para apresentar lucros polpudos aos acionistas, mesmo que por pouco tempo, não são as características da época. Creio ser muito importante que todos os cursos discutam autores como Zygmunt Baumann, Slavoj Zizek, Guy Débord ou Gilles Lipovetsky, para pensarmos sobre a precariedade deste sistema, sobre o caráter efêmero de tudo, colocado como algo inevitável. Há um tipo de fatalismo dominante, uma “era das expectativas rebaixadas”. Todos estes problemas devem ser combatidos com uma visão alternativa, que se montaria a partir de coalizões de países com propostas de mudança. Para isto, o Fórum Social Mundial, iniciado em Porto Alegre, tem muitas contribuições a oferecer. Observe-se que até o Fórum Econômico Mundial, de Davos, reconhece que a injustiça é demasiada. Se percebem que podem perder os dedos além das joias, é porque a situação, para estes “donos do poder”, pode estar ficando difícil.

RB: Diante dessa atual conjuntura de conflitos, qual é, em sua opinião, o desafio para a sociedade civil que assiste a tudo isso pela TV?

 

FR: A questão da TV e dos meios de comunicação é algo importantíssimo. São de fato, hoje, um quarto poder. Filmes como o inglês “Muito além do Cidadão Kane”, ou o irlandês “A Revolução não será Televisionada” mostraram isto brilhantemente e deveriam ser bastante divulgados. Quantas pessoas sabem que os meios de comunicação brasileiros atuam em forma de cartel, que quatro famílias possuem os jornais e revistas mais influentes (Marinho: O Globo; Mesquita: O Estado de São Paulo; Frias: Folha de São Paulo; Civita: Veja) e que formam uma frente oposicionista, que já se declarou como substituta dos partidos políticos? Foi gritante o fato de as grandes revistas semanais, em 2011, não terem colocado na capa que a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU foi a presidente do Brasil. Sem dúvida, isto não é importante, certo? Quem lê os editoriais destas empresas (repetindo: são empresas familiares) acredita que se deve “resolver o problema argentino” à base de retaliações e intolerância, invadir a Bolívia para “retomar” as instalações da Petrobras, que Hugo Chávez é um demônio, não um político com um projeto desenvolvimentista, à falta de melhor denominação, gestado numa dada conjuntura de um país diferente do nosso. As velhas elites de renda do Brasil, mais a classe média conservadora ouvem e leem só isto e chegam ao ponto de dizer que não se pode, por exemplo, oferecer descontos no IPI de eletrodomésticos, porque os “pobres” comprarão eletrodomésticos e faltará luz. Evidentemente, faltará para quem já a tinha, desde sempre, aliás. Este comentário não é ficção, foi feito por uma historiadora-jornalista, na rádio CBN, quando houve um “apagão” no governo Lula. Já assisti ao “Fantástico” (assisti porque dizia que trataria do MST e fiquei curioso) criticar uma passeata dos Sem Terra porque tinha atrapalhado o trânsito em Recife. Ora, se filmassem de perto e fossem conversar com aquelas pessoas, veriam um tipo de situação da qual os telespectadores urbanos estão muito afastados, não geograficamente, mas socialmente. Nosso Código de Comunicações é pré-Internet, feito em 1963. Ele permite a propriedade cruzada dos veículos. Assim, qualquer uma daquelas famílias pode ter jornal, revista, rádio, TV, telefonia, Internet. Isto não acontece nos países desenvolvidos, mas acontece aqui e o governo que quiser mexer nisto será satanizado. Além disso, diz que um político não pode ser diretor de um órgão de comunicação, como as TVs, mas pode ser o proprietário, o que é uma sandice. Quantos brasileiros sabem quando se dá a renovação de um canal de TV, que é uma concessão do poder público? Por que não se divulga se estão cumprindo as obrigações, por exemplo, de ter programação cultural?

RB: Para terminar, o que o senhor gostaria de dizer aos nossos leitores e internautas?

 

FR: Primeiramente, obrigado pelo convite para esta entrevista. Depois, quanto a esta pergunta, o principal é propor que sempre se procurem informações qualificadas em locais como este, na “blogosfera”, na imprensa, através das colunas de alguns analistas que ainda seguem manuais de redação. Foram blogs que fizeram a Folha de São Paulo, por exemplo, ter que explicar a questão da ficha falsa que publicaram contra a atual presidente da República. Há várias formas de se assumir e defender pontos de vista críticos ao congelamento do poder, também tendo em mente que somos brasileiros, que podemos ter um projeto civilizacional próprio, explorando cada vez mais nossas potencialidades, em proveito da maioria. Aprecio a ideia de criação de “zonas autônomas temporárias”, apresentada por Hakim Bey (pseudônimo do americano Peter Lamborn Wilson), parecidas com a proposta de Ivan Ilich. Pode ser interessante: desenvolvimento constante de zonas de liberdade, em meio à onda cultural globalizante, descaracterizadora, que se está tentando implantar. O atual momento, com as múltiplas crises em curso (só se está prestando atenção na financeira, dado o predomínio atual do economicismo nas análises) abre um campo vastíssimo para o debate de ideias.

 

 

 

 

 

O CAMINHO DA VIOLÊNCIA NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

A guerra civil na República Democrática do Congo tem suas raízes logo após a independência, na década de 60 do século XX. Agravada desde os anos 90, motivações políticas, étnicas e interesses internacionais são os elementos que colaboram para a construção de um cenário de destruição e violência com requintes de crueldade. Isso fez com que a ONU classificasse a República Democrática do Congo como a Capital Internacional do Estupro, por exemplo.

Essa guerra ocorre, em primeira linha, entre as tropas da República Democrática do Congo e os rebeldes liderados pelo general Laurent Nkunda: rebeldes do M23, atingindo, de imediato, milhares de pessoas que vivem na província de Kivu do Norte e que, de lá, fogem diariamente. A Africa Consulting tem algo a dizer sobre essa história.

Por enquanto, vamos começar postando uma matéria realizada pela TV Brasil em setembro de 2012. Desse período até agora, a situação tem estado mais grave ainda.

Aguarde mais informações interessantes. Deixe sua reflexão e opinião. Curta e Compartilhe. Participe!

 

 

A FRONTEIRA ENTRE A TRADIÇÃO E A VIOLÊNCIA

Saudações!

Quando você terminar de ler este post, pelo menos uma menina entre 4 e 12 anos terá sido vítima da mutilação genital feminina, segundo a Ong Anistia Internacional.

Apesar de leis proibitivas, a mutilação genital feminina ainda é uma realidade.  É uma prática recorrente em diversos países ao redor do mundo entendida como um ritual e própria de certas culturas. As estatísticas ainda são desconhecidas, pois não existe nenhum mecanismo que registre o número de mulheres vitimadas. Segundo estimativas da UNICEF, mais de 150 milhões de mulheres já foram submetidas à MGF e, por ano, aproximadamente 3 milhões de meninas passam por esse ritual.

No dia 21 de novembro de 2012 a Africa Consulting reuniu em evento alguns profissionais, entre brasileiros e africanos, para discutir sobre a violência contra a mulher. Nesse evento (que pode ser lido nas postagens anteriores) falou-se, também, sobre a prática da MGF como uma forma de violência contra a mulher. Mas reconhecemos que falar sobre isso ainda é muito pouco, embora necessário. Além de intervenções mais assertivas de governos para o cumprimento da lei, achamos que é necessário um processo educativo, pois nenhuma tradição cultural pode ser usada para justificar tamanha violência. Continuaremos a tocar nesse assunto com o objetivo de mostrar que existe uma distância real entre tradição cultural e violência.

Os vídeos abaixo, postados no youtube, em 2009, pelo assinante Nick B são fortes e nos ajudam a refletir sobre essa prática. Nós, da Africa Consulting, defendemos o fim da Mutilação Genital Feminina!

Assista, nos ajude a divulgar esse problema e deixe seus comentários. Fale conosco sobre esse assunto. Forte abraço!

Profª Rita Barros / Diretora – Africa Consulting

 

 

 

 

 

 

EVENTO DOCUMENTADO!

No dia 21 de novembro de 2012, sob a Direção da Africa Consulting, ocorreu o evento TRADIÇÕES E SUSSURROS: A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER -DESAFIOS E CONQUISTAS. Veja as fotos abaixo!

Abertura do Evento feita pelo Coordenador do Espaçu Cultural do Consulado Geral de Angola no Rio de Janeiro.

Mesa de comunicações coordenada pela Profª. Rita Barros.

Comunicações sobre a violência contra a mulher no Brasil, na Guiné Bissau e em Angola.

A enfermeira Sra. Aissatú Balde, com palestra sobre a Mutilação Genital Fiminina na Guiné Bissau.

Momento de perguntas e debates.

Perguntas e debates.

Profª Rita Barros e os convidados palestrantes.

Profª Rita Barros com o Sr. Fabrício Nery, diretor da Global Logística e Sr. Mateus Ferreira, coordenador do Espaço Cultural - parceiros no evento.

Profª Rita Barros com representantes da União Africana de Estudantes.

Cocktail de encerramento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TRADIÇÕES E SUSSURROS: A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER - DESAFIOS E CONQUISTAS

No dia 21 de novembro, sob a Direção da Africa Consulting, ocorreu o evento TRADIÇÕES E SUSSURROS: A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER - DESAFIOS E CONQUISTAS, no Espaço Cultural do Consulado Geral da República de Angola no Rio de Janeiro.

Queremos agradecer a cobertura feita pela Agência Brasil, com reportagem de Paulo Virgílio. Além dos países citados na entrevista, vale lembrar que a prática da Mulitação Genital Feminina acontece também na Tanzânia, Quênia, Etiópia, Sudão, Egito, Chade, Nigéria, Niger, Camarões, Benin, República Centro Africana, Gana, Mali, Burkina Faso, Senegal, Mauritânia, Costa do Marfim.

Acesse e veja a matéria da Agência Brasil. Boa leitura!

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-11-21/violencia-contra-mulher-no-brasil-e-em-paises-da-africa-e-tema-de-debate-no-rio

 

HISTÓRIA, PATRIMÔNIO, CULTURA URBANA – O RESULTADO!

No dia 27 de outubro os alunos da Pós-Graduação em História e Patrimônio Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, curso realizado em parceria com a FABES e o ISEP, realizaram seu terceiro laboratório externo sob a orientação do Prof. Mauro Amoroso. Em visita aos pontos históricos do sub-bairro Usina, foi possível reconhecer as mudanças e refletir sobre os aspectos da herança histórico-patrimonial que ainda são visíveis aos moradores e visitantes. Vejam as fotos na ordem da lista abaixo. Participe e deixe seus comentários.

  1. Ponto de Partida: Praça Sans Penna.
  2. A caminha da Usina.
  3. Vista da Comunidade do Borel.
  4. Carrefour/Antiga Fábrica da Souza Cruz.
  5. Alunos e a Comunidade do Borel ao fundo.
  6. Grupo subindo a Comunidade do Borel.
  7. Parada para almoço.
  8. Igrejinha da comunidade e 8.1 Professor e alunos na Igrejinha.
  9. CIEP Magarinos Torres.
  10. Alunos no CIEP.
  11. Antigo posto da OAB, já desativado.
  12. Casa de Dona Ruth do Projeto Condutores da Memória – Borel.
  13. Subida para a Chácara do Céu.
  14. Vista da Tijuca.
  15. Alunos da Comunidade Chácara do Céu.
  16. Professor e alunos na Chácara do céu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EVENTO: Escravos e Refugiados: tensões e descobertas. A imagem não revelada na Cidade do Rio de Janeiro.

O evento foi realizado no dia 21 de agosto em parceria com o ISEP e com a FABES. Atividades como essa fazem parte do  Programa de Pós-Graduação desenvolvido pela Africa Consulting. Confira as imagens.

Dra. Vanessa Canto, da Cáritas/RJ; Sr. Munampova Murph da RCD; Profª Maria Lubicz Kopelman, Diretora do ISEP; Dr. Julio Cesar Medeiros, Coordenador do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos; Profª Rita Barros, Coordenadora da Pós-Graduação e Diretora da Africa Consulting; Profª Clara Lubicz Birenbaum, Diretora do ISEP; Sr. Alfred Akuala, da RDC e Diretor da PubliQ-se.

Os convidados, sob a coordenação da Profª Rita Barros, apresentaram as seguintes comunicações:

Vida e morte na Diáspora: os Pretos Novos na Gamboa.

Refugiados Africanos no Rio de Janeiro: questões contemporâneas sobre a Diáspora Africana nas Américas.

Chegada e permanência no Rio de Janeiro.

 

Chegada dos participantes ao evento.

 

 

 

 

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