Africa Consulting

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Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais

OS TRANSGRESSORES AFRICANOS MORRERÃO: EIS O SONHO DE MUITOS!

 

A notícia, em fevereiro último sobre o Presidente de Uganda, Yoweri Museveni, promulgando a lei que considera a homossexualidade crime punível com prisão perpétua causou revolta e decepção entre líderes internacionais. Porém, Uganda não está sozinha na lista de países africanos que declararam a homossexualidade como algo ilegal e tratam os cidadãos homossexuais como “foras da lei”.  

 

 

 

Faz tempo que seus direitos não são garantidos, faz tempo que são vítimas de violências desmedidas e, muitas vezes, fatais. E, salvo nossa péssima memória, as grandes potências, os países desenvolvidos e ricos, que lucram sobremaneira com os recursos naturais do continente africano, nada fizeram para ajudar essas pessoas.

 

Veja abaixo uma tabela, que condensamos, com os países africanos que ainda tratam a homossexualidade como crime. 

 

 

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QUE PAÍS É ESSE? Uma história de sangue, lágrimas e violência na esquecida, aos olhos do mundo, República Centro-Africana

Como resultado da dominação europeia e sendo a cidade de Bangui sua capital, a República Centro-Africana é um país que está geograficamente “emparedado” por seus vizinhos Chade, Sudão, Sudão do Sul, pela República Democrática do Congo, Camarões e República do Congo (Congo-Brazzaville). Quando colônia francesa era chamado de Oubangui-Chari, região habitada pela etnia ubangui entre outras.

 

Dentro dessa mentalidade colonial, a idéia de sujeição dos povos africanos não se sustentava porque, segundo sua compreensão, não havia povo a ser liberto de nenhuma sujeição política, militar, econômica ou racial, já que não eram considerados como tal, mas sim civilizações inferiores que, eventualmente, conheceriam e se beneficiariam com a evolução trazida pela “superior” cultura francesa. Esse território, na verdade, viveria até o século XX sob a ação de uma série de Companhias e Corporações que tinham a concessão para utilizar os recursos minerais e agrícolas bem como fazer uso da mão de obra local. Tais práticas exploratórias contribuiram sobremaneira para agravar a situação de miséria na região.

A independência da República Centro-Africana foi negociada e proclamada em 1960. De lá até o momento, este país vem sofrendo com governanças instáveis, golpes de estado, ditaduras, guerra civil e conflitos religiosos. Após a libertação do domínio colonial, a história política desse país tem sido marcada por golpes recorrentes de tomada do poder. Dos nove presidentes da Republica, à exceção de Michel Djotodia que reenunciou recentemente, de Alexandre-Ferdinand Nguendet, ocupante interino do cargo por curtíssimo período, e da governante Catherine Samba-Panza, os outros foram retirados à força do governo.

 

Em 2003 o grupo de rebeldes UFDR (União das Forças Democráticas para a Reunificação) era acusado por Bangui de ter conexões com as milícias rebeldes do Sudão. E a liderança dessa organização, na pessoa de Michel Djotodia, afirmava que o governo Bozizé perseguia algumas etnias desde que este tomara o poder através de um golpe de estado naquele ano. No decorrer dos enfrentamentos, outros grupos rebeldes se uniram à UFDR: o Exército Popular para a Restauração da Democracia, o Grupo de Ação Patriótica pela libertação da Africa Central, o Movimento de Libertação Centroafricana pela Justiça, a Frente Democrática Centroafricana e a União das Forças Republicanas. Em 2007 foi assinado um acordo de paz entre as partes, porém confrontos não pararam de acontecer.

 

Essa recorrência indica algumas questões: quais os interessados nessa instabilidade que dizima populações e provoca o crescimento acelerado no número de deslocados internos? Quem financia tais conflitos? Ao que parece, o interesse em tamanha instabilidade vem do lucrativo mercado do tráfico de armas e de drogas, dos elevados rendimentos auferidos pela exploração mineral, dos altos lucros do trabalho escravo e do tráfico humano e, nessa escala, não é difícil enxergar uma conjuntura financeira institucionalizada que lucra, sobremaneira, com essa espiral interminável de caos e violência.

 

Em 2008 houve um acordo para a reconciliação das forças opostas, objetivando a criação de um governo de unidade nacional a fim de organizar eleições locais no ano seguinte. No entanto, o governo Bozizé se manteve no poder mesmo em meio a esse ambiente de crise e acabou por ser deposto pela coalização Seleka em 2013. Mas quem é esse grupo rebelde?

 

Seleka, no dialeto Sango, significa aliança. Esse grupo forma uma coalizão de vários movimentos armados composta pelas facções dissidentes da Convenção dos Patriotas para a Justiça e Paz (CPJP), da União das Forças Democráticas para a Unidade (UFDR), da Frente Democrática Popular Centro-Africana (FDPC), pela Convenção Patriótica para a Salvação de Kodro (CPSK) e, ainda, pela Aliança para o Renascimento e Refundação Nacional. Apesar da diversidade, os grupos estavam convencidos de que o presidente François Bozizé não tinha honrado o Acordo de Paz de 2007 e o de 2008. No final de 2012 a coalizão Seleka, numa ofensiva iniciada no nordeste do país, capturou a produção de diamantes da cidade de Bria e dominou as cidades de Batangafo, Kabo, Ippy, Kaga Bandoro, Bambari e Sibut. O movimento rebelde se dirigiu à capital do país, Bangui, e F. Bozizé recebeu ajuda do governo do Chade através do envio de tropas para combater seus inimigos.

 

Diante dessa instabilidade pessoas que apoiavam o governo atacaram a embaixada francesa protestando contra a indiferença da antiga metrópole diante da violência e das mortes, e os EUA e a ONU trataram de retirar seu pessoal diplomático da República Centro-Africana. O presidente Bozizé prometeu criar um governo de unidade e apelou pela realização de um acordo de paz. A coalizão Seleka aguardou que o presidente aceitasse as exigências do grupo até março de 2013, porém o movimento rebelde não se sentiu contemplado em suas reivindicações. Em 24 de março do ano passado a coalizão tomou o poder, invadiu o palácio presidencial de Bangui e François Bozizé fugiu do país para a República Democrática do Congo. Contudo, nesse ínterim, Bozizé já contava com a ação Anti-Balaka que nos dialetos Sango e Mandja, significam faca, espada. Segundo investigações da Human Rights Watch esse grupo armado, criado pelo ex-presidente Bozizé para combater o banditismo, é composto por soldados que fizeram parte da FACA – Forças Armadas Centro-Africanas e por outras pessoas fiéis ao antigo presidente.

 

 

Já em fins de 2012 contingentes militares do Chade, da Força Multinacional da África Central (FOMAC), da República do Congo, do Gabão, da África do Sul, de Angola e do Camarões se encontravam no país para apoiar o governo Bozizé. No final de março de 2013 Michel Djotodia, líder da coalizão Seleka, se autoproclamou presidente da República Centro-Africana designando uma administração interina e de transição formada por rebeldes e lideranças ligadas ao presidente anterior. A comunidade internacional, porém, não apoiou a mudança de poder: África do Sul, França, China, Brasil, União Africana, para citar alguns, condenaram o golpe de estado.

 

Com noticias sobre violência generalizada, saques, decapitações, estupros, confrontos entre milícias de muçulmanos (Seleka) e cristãos (Anti-Balaka), crescimento de deslocados e fome, em setembro de 2013 a comunidade internacional voltou a se reunir em Nova York para discutir sobre a situação na Republica Centro-Africana, justamente quando a ONU começou a falar em crise humanitária e o número de refugiados já somava trezentos mil. Somente em dezembro as Nações Unidas aprovaram a entrada de tropas externas para garantir a segurança dos cidadãos da República Centro-Africana e o trabalho de ajuda à população de organizações internacionais. A União Africana e a França também enviaram contingentes armados. No entanto, o presidente François Hollande afirmou que a ação teria uma duração de tempo limitada, com o máximo de seis meses. Até o final do ano nenhuma mudança havia ocorrido, a situação de violência generalizada não tinha se modificado e já se contabilizavam um milhão de refugiados e de centenas de milhares de mortos, além da chegada de ajuda aos desabrigados e feridos que ainda sofria impedimentos.

 

No início do ano corrente o presidente interino Michel Djotodia e o primeiro-ministro, Nicolas Tiangaye, renunciaram por pressão da Comunidade Econômica dos Estados da África Central segundo o que noticiou a imprensa internacional, e com a mediação da França foi presumido que milicias de ambos os lados começaram a depor as armas. Assumiu como presidente interino Alexandre-Ferdinand Nguendet que ficou em exercício até 23 de janeiro de 2014. Sua prioridade foi desarmar as milícias e restaurar a ordem dentro da República Centro-Africana. Para tanto, convocou o contingente do Exército e da Polícia que haviam fugido durante os conflitos desde 2012. Afirmando que agiria com rigor sobre as milícias, Nguendet, segundo a Agência Reuters, declarou que: "Se eles continuarem fica ordenado, em nome da República, atirar à queima-roupa para que a ordem possa reinar neste país".

 

Foi nesse panorama de instabilidade geral e confrontos que a prefeita da cidade de Bangui, Catherine Samba-Panza se elegeu presidente interina pelo Conselho Nacional de Transição da República Centro-Africana com mandato de um ano. Ela é a primeira mulher na história da República Centro-Africana a ocupar este cargo. Cabe lembrar que a tensão na capital do país não acabou. Mesmo que tropas de forças internacionais estejam, ainda, presentes, o país continua em situação de confronto entre a coalizão Seleka e a milícia cristã Anti-Balaka. A prioridade da presidente é o desarmamento das milícias e a restauração da paz. Porém, confrontos ainda acontecem no território da RCA e a ONU já anunciou que, aproximadamente, seis mil crianças foram recrutadas pelas duas milícias.

 

Com uma população de 5 milhões de habitantes conforme dados de 2013 e enquadrada no patamar mais baixo do desenvolvimento humano, a República Centro-Africana ocupa o centésimo octogésimo lugar na escala IDH, com um índice de 0,352, segundo os dados do PNUD 2013. A expectativa de vida é muito baixa, estimando-se que a idade média alcançada no país seja de 49 anos, a segunda menor expectativa de vida humana no planeta. Em 2009, por exemplo, a cada 100 adultos, aproximadamente 90 morriam por ano de problemas de saúde diversos. Segundo o ultimo relatório UNAIDS, só em 2010 cento e oitenta mil pessoas estavam infectadas e, segundo as estimativas, onze mil pessoas morrem de aids por ano nesse país. A população subnutrida era de 43%. Em 2008 62,0% da população estava abaixo da linha de pobreza e em 2009 a taxa de analfabetismo era de 45%. O número de mortos no conflito desde 2012 não foi estimado.

 

Segundo a OMS, no que diz respeito ao quarto objetivo do Desenvolvimento do Milênio, “Reduzir em dois terços, entre 1990 e 2015, a mortalidade de crianças menores de 5 anos”, não houve progresso algum. Ainda, segundo esta organização, os principais problemas no setor da saúde que o país enfrenta são: os altos níveis de mortalidade materna e infantil, alto índice de doenças transmissíveis em níveis epidêmicos como o HIV, malária, tuberculose, meningite, doenças diarreicas, doenças tropicais negligenciadas, aumento progressivo de doenças não transmissíveis, como a hipertensão arterial, diabetes, anemia falciforme, câncer, entre outras, além do fracasso na gestão pública e a falta de financiamentos, entre os principais fatores de instabilidade. Para a OMS a melhor estratégia para iniciar uma mudança nesse panorama seria a realização de parcerias e investimentos de agências internacionais e de outros países com expertise em desenvolvimento humano.

 

Entretanto, não há somente misérias nesse país. Existe uma história rica e caracterizada por sua diversidade humana e cultural. A RCA se compõe de mais de 80 grupos étnicos cada um com seu idioma próprio. Entre exemplos dessa multiplicidade cultural podemos citar as etnias Baya, Banda, Mandjia, Sara, Mboum, M'Baka, Yakoma, entre outras. 

 

É provável que o território da RCA tenha sido ocupado pela presença de alguns impérios africanos como Kanem-Bornou, Ouaddai, Baguirmi e outros grupos baseados na região do lago Chade e do Alto Nilo. Com o tempo, alguns sultanatos passaram a utilizar a região de Oubangui como uma área de comércio de escravos usualmente vendidos para a região do Saara e da África Ocidental que seriam, de lá, exportados para a Europa. Em 1875 o território que corresponde à atual RCA era governado pelo sultão egípcio Rabah que foi derrotado pelas forças francesas em finais do século XIX. A partir daí a França só consolidaria seu poder sobre a região em 1903. Em 1910 Oubangui-Chari passou a compor a África Equatorial Francesa (AEF), junto com Chade, Congo-Brazzaville e Gabão.

 

A produção artesanal de artigos finos era intensa até o século XIX, decaindo com o domínio colonial e terminando por desaparecer. Artigos como tapetes, cestaria, utensílios feitos em madeira, tamboretes, produção de cerâmicas e de instrumentos musicais (como o balafon, parente distante do xilofone, construído de chifres de animais, peles, madeira e tecido) são os resquícios dos tempos áureos dessa época. Atualmente, artesãos locais produzem desenhos feitos com asas de borboletas e esculturas utilizando madeira de ébano. O povo da República Centro-Africana possui notável talento para a música e a dança. Observe-se que as tradicionais músicas e danças celebradas pelos pigmeus Aka (os cantos polifônicos), são internacionalmente conhecidas. Nessa expressão de pura arte e cultura, cada cantor e percussionista escolhe o seu próprio ritmo, elaborando um hall harmônico de variedades sonoras. Seria, como que, um universo de movimentos, ritmos e sons. Esta tradição foi declarada Obra Prima do Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2003.

 

 

 

 

A matriz econômica da RCA se localiza numa agricultura de subsistência, além da silvicultura e da mineração. O setor agrícola gera mais da metade do PIB. Madeira e diamantes representam a maioria das receitas de exportação, seguidos pelo algodão. Economicamente o país sofre restrições por não ter nenhuma saída para o mar e ainda por não contar com um sistema de transportes eficiente.

 

Uma das principais belezas naturais da RCA se localiza no norte da Bacia do Congo, as áreas protegidas do Parque Nacional Dzanga Sangha. Uma região rica de florestas tropicais e de diversidade animal selvagem, tais como os gorilas da Planície Ocidental, os elefantes, búfalos e uma infinidade de espécies de aves, entre outros animais. Esta região ainda abriga uma cultura tradicional representada pelos pescadores Sangha Sangha e pelos coletores e caçadores Baaka. Esta reserva está em vias de se tornar Patrimônio Mundial a ser declarado pela UNESCO. Desnecessário afirmar que a RCA possui recursos naturais significativos, no entanto sua utilização ainda não resultou na transformação estrutural necessária para alavancar um crescimento substancial e sustentável.

 

 

Também faz parte dessa história recente os problemas que afetam a condição humana na Republica Centro-Africana. A guerra interna tem provocado decapitações, saques, sequestros, execuções sumárias, ocorrências que dificilmente chegam aos tribunais e à justiça, resultando em uma violência generalizada. Além do recrutamento forçado de crianças para engrossarem as fileiras dos combatentes, o estupro, desde 2002 realizado sem tréguas, é utilizado como arma de guerra. Todos os grupos envolvidos no conflito, tanto de combatentes da RCA como das tropas estrangeiras (segundo investigação da Anistia Internacional) praticam de maneira indiscriminada essa violência. Infelizmente as vítimas, mulheres e meninas, se recusam a falar e a denunciar esses crimes brutais. No entanto, os criminosos precisam ser levados à justiça.

 

Ainda segundo os resultados investigativos da Anistia Internacional, desde meninas de 8 anos de idade até muilheres de 60 anos foram estupradas em suas casas ou enquanto fugiam das zonas de conflito, o que acontecia normalmente na frente de seus maridos, pais e filhos. Os que tentaram impedir a violência foram sumariamente executados. De acordo com os depoimentos colhidos pelos investigadores da AI, normalmente os perpetradores dos crimes eram crianças soldado e outros tantos que se encontravam sob influência de drogas ilicitas. Todas as escolas do país foram fechadas desde dezembro de 2013. Tais eventos também foram investigados pela Organização Global Observatory.

 

O que resta para as pessoas que vivem na RCA? Esperança? Sim, mas a esperança de que os países não se calem diante de tanta violência e caos? As grandes potências sempre fizeram silêncio diante dos “genocídios” ocorridos ao longo da história, pricipalmente os cometidos contra populações residentes em países pobres. As potências mundiais continam em silêncio diante do que acontece na RCA, pelo menos o silêncio dos que parecem enxergar esse caos como uma aventura distante em locais além da “civilização”. Por isso, resta àquelas pessoas que a sociedade civil do planeta denuncie tamanhos perigos, não se cale e nem fique indiferente ao sofrimento do outro mais pobre.

 

Não feche os olhos e os ouvidos para mais este país pouco conhecido e aparentemente tão longe de nós. Junte-se a Africa Consulting e compartilhe o máximo que você puder, este artigo. Gostaria de nos ajudar a melhorar as iformações sobre a situação na RCA? Deixe seus comentários ou escreva para nós.

 

Notas:

1. Esse artigo não possui fins lucrativos. As imagens são aleatórias e compartilhadas de links públicos e suas fontes devidamente citadas. Caso alguém discorde ou queira sua imagem retirada desta publicação, escreva para africa.consultingltda@gmail.com

2. Material de propriedade da Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais Ltda., conforme Lei 9.610/98. Se alguém desejar reproduzir ou utilizar o conteúdo, solicitamos a gentileza de citar a fonte corretamente.

3. Para saber mais sofre as fontes, nos escreva!

4. Para citar o artigo:

 

BARROS, Rita de Cássia B. e VELLOSO, Sergio G. Que país é esse? Uma história de sangue, lágrimas e violência na esquecida, aos olhos do mundo, República Centro-Africana. Rio de Janeiro. Africa Consulting, 2013. Disponível em: 

http://africaconsulting.wix.com/africaconsultingltda/apps/blog/draft/page/1

 

MGF: O QUE SEUS OLHOS NÃO VEEM, O SEU CORPO SENTE!

 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde aproximadamente 140 milhões de meninas e mulheres ao redor do mundo foram submetidas a essa violência. A cada ano mais de 3 milhões podem passar pela mutilação. Por essa estatística, cerca de 8 mil meninas são mutiladas por dia. Essa é uma prática que ocorre na África, no Oriente Médio, na Ásia, America do Sul e América Central. E, segundo a última investigação da The END FGM European Campaign, a MGF tem acontecido, também, em alguns países da Europa. 

 

 

A MGF é realizada na faixa etária de 0 a 15 anos de idade. O tipo de mutilação, a idade e a forma como esta incisão é feita variam e dependem do país onde acontecem. A mutilação é operada por membros do grupo que reconhecem a prática como sendo um rito de passagem para mulheres e, portanto, necessário.  Os objetos utilizados para a incisão são pontiagudos, tais como uma faca, uma lâmina de barbear ou um vidro quebrado. As principais consequências da MGF são dor e sangramento, traumas irreparáveis, choques, dificuldade em urinar, infecções generalizadas, septicemias, lesões no tecido genital e, às vezes, a morte, segundo o relator especial da ONU Manfred Nowak que investiga assuntos sobre tortura, tratamentos ou penas cruéis, desumanas e degradantes pelo mundo.

 

 

 

Objetos utilizados para realizar a Mutilação Genital Feminina

 

 

O vídeo abaixo, publicado em 2010, que compartilhamos neste post, com duração de apenas 6 minutos, foi realizado pela ADDHU - Associação de Defesa dos Direitos Humanos, Organização Não Governamental para o Desenvolvimento.  

 

Seja um parceiro da Africa Consulting e nos ajude na campanha contra a Mutilação Genital Feminina. É muito simples participar: compartilhe esse post e diga Não à MGF. Quanto mais pessoas fizerem isso, mais rápido podemos chamar a atenção do mundo para esta cruel realidade. O objetivo dessa campanha é salvar vidas.

 

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JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE 2013!

De 22 a 24 de julho, no Centro de Convenções Sul América/RJ, aconteceu a Pré-Jornada JMJ/RCE, evento do Congresso da Rede RCE Educação e Valores direcionado à Jornada Mundial da Juventude 2013. O tema do congresso foi “Um olhar sobre a realidade, desafios da evangelização e elementos para o discipulado do jovem estudante” e o evento recebeu jovens estudantes, educadores, gestores, pais e mães do Brasil inteiro e de vários outros cantos do mundo.

 

A Prof.ª Rita Barros,  Diretora da Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais, participou de um painel integrado falando sobre questões acerca da cidadania, educação, ética, bullying, direitos, deveres, entre outros. Ela nos disse: “Foi um prazer e uma emoção muito grande participar desse congresso filiado à JMJ. As pessoas acolheram nossa proposta de reflexão e eu fui recebida com muito carinho por todos. Uma energia maravilhosa, mundial. Deixo aqui meu agradecimento à RCE pelo convite”, disse ao Blog da Africa Consulting. 

 

 

A palestra se desenvolveu de forma muito explicativa, didática, e todos não hesitaram em participar e tirar suas dúvidas, durante e depois da apresentação. Com a mediação do  Pe. Rodrigo Perrucini, scj, o painel também contou com a presença do Professor e escritor Gabriel Perissé. E você, acompanhou a JMJ? Participou de alguma atividade? Confira as fotos abaixo e deixe seus comentários.

 

Profª Rita Barros - Salão de Conferências

 

 

Oração de Abertura: O Pai Nosso

 

 

 

Conferência

 

 

Vista panorâmica do salão

 

 

 

Pe. Rodrigo Perrucini, Prof. Gabriel Perissé, Profª. Rita Barros            

 

 

Interatividade após conferência

 

 

 

 

Com a juventude

 

 

 

 

 

 

ESTUDOS AFRICANOS: O QUE VOCÊ SABE SOBRE ISSO?

 

 

Prof. Paulin J. Hountondji, filósofo do Benin.

 

 

  "Quando falamos de estudos africanos, normalmente estamos a referir-nos não apenas a uma disciplina, mas a todo um leque de disciplinas cujo objeto de estudo é África. Entre estas incluem-se, frequentemente, disciplinas como a “história africana”, “antropologia e sociologia africanas”, “linguística africana”, “política africana”, “filosofia africana”, etc. Torna-se inevitável, por isso, colocar uma primeira questão: existirá algum tipo de unidade entre estas disciplinas?... Todavia, pelo menos uma outra questão se coloca: quão africanos são os chamados estudos africanos? Por exemplo, por história africana entende-se normalmente o discurso histórico sobre África, e não necessariamente um discurso histórico proveniente de África ou produzido por africanos. Em termos gramaticais, referimo-nos à história de África: historia Africae em Latim, em que Africae, genitivo de Africa, seria um genitivo objectivo, e não um genitivo subjectivo. Na mesma ordem de ideias, a sociologia ou a antropologia africanas significam a sociologia ou antropologia de África enquanto genitivo objectivo, ou seja, um discurso sociológico ou antropológico sobre África e não uma tradição sociológica ou antropológica desenvolvida por africanos em África”. Prof. Paulin J. Hountondji, filósofo do Benin.

 

A partir da reflexão feita pelo filósofo do Benin, fica mais que evidente a necessidade dos brasileiros se lançarem na tarefa de conhecer a África e os africanos, não para se tornarem um porta-voz, mas para estabelecerem um diálogo efetivo, de amizade e conhecimento real, que possa resultar na experiência da cooperação. Esta experiência convida à capacitação profissional. Tal é a proposta da Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência que é realizada pela Africa Consulting em parceria com o Instituto Superior de Estudos Pedagógicos e a Faculdade Bethencourt da Silva, no Rio de Janeiro.

 

A grade curricular do curso tem por objetivo contemplar uma formação acadêmica e profissional que privilegie um conhecimento genuinamente africano para dele aprendermos, numa ótica que se diferencie daqueles saberes puramente ocidentais que foram, por muito tempo, o discurso oficial sobre a história da África e seus povos.

 

O Blog da Africa Consulting conversou com alguns alunos do curso e, desde já, agradecemos pelos depoimentos. Veja abaixo:

 

Dra. Lourdes Maria Pires, Advogada e Jornalista

 

Dra. Lourdes Maria Pires, advogada e jornalista, nos contou que sempre foi “apaixonada pelo Continente Africano, seu povo, sua história, seus costumes”. No momento ela está concluindo sua monografia de final de curso com o tema O Império Português e a Questão Colonial em África.

 

AC: Por que você procurou a Pós-graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?

LM: Por querer adquirir conhecimentos sobre Estudos Africanos. Um belo dia, conversando com um casal de amigos sobre o meu interesse pelo Continente, para a minha surpresa, eles estavam começando a Pós no ISEP, logo pedi o endereço, fui até lá, tive as devidas informações e dias depois me matriculei e comecei a estudar.

AC: O que poderia nos dizer sobre a sua experiência de aprendizado durante o curso?

LM: É um rico aprendizado de uma grandeza imensurável.

AC: Que conselho você daria àqueles que estão demonstrando interesse por esse curso?

LM: Não percam a oportunidade por ser um Curso de Excelência.

 

 

Reinaldo Pitzer, Professor de História

 

Reinaldo Rocha Pitzer, Professor de História e Recepcionista Bilingue no Jardim Botânico da Cidade do Rio de Janeiro, nos contou sua experiência sobre o processo de conhecer mais sobre o continente africano:

AC: Como surgiu seu interesse pelo continente africano?

RP: Antes mesmo de pensar em cursar história, meu irmão mais velho, então seguindo este curso, me pediu auxílio em um trabalho que estava fazendo, estagiando com o historiador João Fragoso. Este trabalho pedia a leitura de várias cópias Xerox de inventários do século XIX sobre os bens de fazendeiros possuidores de escravos. O assunto escravidão e logo África e suas relações com a história de nosso país desde então ficou bem vivo para mim. Quando anos depois cursei a faculdade de história, havia uma aula de África que, como todos os alunos concordavam, era mesmo muito fraca. Percebíamos que deveria haver muito mais do que o magro conteúdo que nos era passado. Em meu último período fui assistente de pesquisa do professor José Jorge Siqueira, que então trabalhava no projeto de um livro que versava sobre a história da África e terminava enfocando o preconceito velado contra os negros em nosso país que subsiste até hoje. Todo o primeiro capítulo contava uma história da África, o que foi, de toda forma, uma introdução do tema para mim. Chamava a atenção, sobretudo que o continente africano não era de modo algum aquele sinônimo de escravidão que me fora passado antes. Bem se vê, portanto, que eu sempre estive pronto para retornar a este estudo sobre a África.

AC: Por que você procurou a Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?

RP: Muito sinceramente: meu interesse imediatamente anterior tinha sido pela história da ciência médica, das doenças e etc; tendo seguido dois cursos como aluno ouvinte na Fiocruz (“Doenças e Escravidão” e “História da Saúde Pública”). Fiz a prova para o ingresso no mestrado nesta instituição e atingi uma boa nota (nove) e passei também na prova de língua estrangeira. Mas foi justamente na entrevista que não consegui boa nota, o que me impediu de atingir o número de pontos exigido. Fiquei um tanto decepcionado e, algum tempo depois, fui informado por um amigo sobre o curso de Estudos Africanos, realizado pela Africa Consulting em parceria com o ISEP/FABES. Conforme expliquei acima, eu tinha tido contatos prévios com os estudos sobre a África e assim procurei conhecer o curso, e não me decepcionei. O tema de minha monografia, tratando das doenças tropicais (especificamente as africanas) no século XIX e XX, foi uma forma que encontrei de aproveitar meus conhecimentos adquiridos na Fiocruz com os estudos sobre a África.

AC: Cite algum ponto de conteúdo que foi importante para você nesse processo.

RP: Poderia citar vários. Apreciei muito as aulas sobre o aspecto econômico da África e suas relações com todo o “primeiro mundo”, os “países do Norte”, que foram muitíssimo interessantes, esclarecedoras e surpreendentes. A maneira como as nações ricas e estabelecidas exploram o povo e as riquezas naturais do continente africano; de tal forma que, aos olhos das leis internacionais, da economia, e do aspecto puramente jurídico, faz com que elas pareçam estar “impecáveis”, apenas mascara habilmente o que moralmente seria perfeitamente condenável no mais alto grau.

Também todas as discussões em torno do autor Homi Bhabha, de que a atualidade se caracterizaria por uma generalizada ausência de representatividade política para uma expressiva maioria (entre outras), também atraiu bastante minha atenção. Todos os outros autores que desenvolvem de diferentes formas este tema, discutindo as relações sociais, aspectos “exóticos” das relações culturais, foram para mim pontos de grande interesse.

AC: Que autor lhe chamou a atenção durante o curso?

RP: Foram muitos. Mas vou citar Stuart Hall como um dos que reconheci como dos mais importantes e que eu não conhecia anteriormente. Para uma introdução ao estudo da cultura e de suas múltiplas inter-relações e complexidade, e logo, para o pleno entendimento das relações em África, este autor é formidável. Depois de sua leitura fica bem mais ameno se entender o quanto a identidade cultural pode ser fluída, por exemplo.

AC: Poderia nos dar mais detalhes sobre o tema de sua monografia?

RP: As dificuldades que as doenças tropicais significaram para os países imperialistas da Europa em fins do século XIX e início do XX, para que estes obtivessem sucesso na completa invasão do território africano; todas as consequências que disso derivou, como, por exemplo, um enorme avanço da medicina em vários campos neste período, ou também o fato de a forma como as medidas preventivas foram aplicadas na África ajudaram a aprofundar as práticas de segregação.

AC: O que você pode nos dizer sobre sua experiência de aprendizado durante o curso?

RP: Posso dizer que mediante o aprendizado do curso se dissipou qualquer dúvida que eu ainda poderia ter sobre qual esfera da história eu escolheria trabalhar. Percebo que o aumento dos conhecimentos sobre a África será um ganho para todo o conjunto da sociedade, uma vez que o próprio fato de sua história ter por tanto tempo sido posta de lado é um sintoma de que os campos de interesse das ciências sociais tem andado equivocados, teimando em desprezar e ignorar uma lacuna fundamental do conhecimento humano.

AC: Que conselho você daria àqueles que estão demonstrando interesse por esse curso?

RP: Que sigam o exemplo de Alberto da Costa e Silva, que no prefácio de seu “A Enxada e a Lança” nos conta que no início de seus estudos procurava ler tudo o que lhe caísse nas mãos sobre o continente africano. Também aconselharia que frequentassem todos os autores não-africanos, mas que não se descurassem de ler o máximo de autores africanos que for possível. Isto para procurar formar um contraponto, tomando ciência das diferentes visões e possíveis divergências ou das concordâncias, contribuindo para formar um mais rico e completo conhecimento sobre o assunto.

 

 

Ronaldo de Jesus, Professor de História

 

Outro aluno, Ronaldo de Jesus da Silva, Professor, com Graduação em Licenciatura Plena em História também comentou sua experiência:

AC: Como surgiu seu interesse pelo continente africano?     

 

RJ: Surgiu pela vontade de conhecer a história da minha descendência étnica.


AC: Por que você procurou a Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?     

RJ: Para melhor compreender e me comprometer com a questão do desenvolvimento humano, somado à qualificação para o exercício da função de Educador.


AC: Cite algum ponto de conteúdo que foi importante para você nesse processo?     

 

RJ: A história da colonização, a criação do grupo de assimilados nas colônias, as relações internacionais e o pan-africanismo.

 

AC: Entre os autores trabalhados no curso, qual deles chamou sua atenção?     

 

RJ: Homi Bhabha e William E. B. Dubois.


AC: Qual é o tema de sua monografia?     

 

RJ: “O pan-africanismo e a dimensão da autodeterminação africana”.


AC: O que você poderia nos dizer sobre a sua experiência de aprendizado durante o curso?     

RJ: Abriu meus os olhos para o entendimento de uma nova consciência sobre os verdadeiros acontecimentos que ocorreram no continente africano, principalmente os que não foram descritos pelos africanos, como também os entraves que ainda permanecem diante da utopia do pan-africanismo.  

 

AC: O que você poderia dizer sobre o curso àqueles que estão demonstrando interesse em fazer nossa Pós-Graduação?

RJ: Excelente! Uma dinâmica crescente de entendimento e principalmente a plena interação com autores, professores altamente capacitados e comprometidos com a questão “África”, uma verdadeira viagem acadêmica ao continente africano desde aspectos geográficos, culturais, entre outros; e o mais importante: uma apresentação da sua importância em diversos aspectos que permitirá ao aluno abrir novas perspectivas de trabalho, principalmente para aqueles que carregam na pele a referência africana em promover a reconstrução seja pessoal, reflexões, debates ou ações que abram espaço para uma maior integração do nosso povo com esse continente, onde também se encontram as nossas raízes.

 

 Dr. Luiz Carlos Coelho, Fisioterapeuta, Militante da UNEGRO, Babálorixá Odeybáilê

 

Graduado em Fisioterapia, Pós-Graduado em Fisioterapia Pneumofuncional, Luiz Carlos Coelho é funcionário público. Sua atuação religiosa ocorre em Sepetiba, na Casa de Axé Ilê Ajubó de Ode. Nos contou que este é o primeiro espaço físico religioso de matriz africana da Unegro no Rio de Janeiro (União dos Negros pela Igualdade). Aqui ele foi diretor por quatro anos e desenvolveu várias atividades e encontros direcionados ao povo de axé, entre eles, o I Encontro de Negros e Negras em Sepetiba, além de dois Seminários sobre religiões de matriz africana.

Babálorixa, Odeybáilê, chamado Cacau d’Oxossi, sua iniciação ocorreu há 40 anos por Honorina de Souza conhecida como Babásiletomi. Pessoa marcante na sua formação religiosa, Honoria era filha de Aldair Teixeira, conhecido como Daíco de Oxumarê, do axé da finada Monadeuí de Aracajú.


AC: Como surgiu seu interesse pelo Continente Africano?

LC: Por ser a pátria mãe dos meus ancestrais, eu me obrigo a preservar, manter e cultivar essa memória.
AC: Por que você procurou a Pós-graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência?

LC: Além da minha etnia, sou militante de movimento negro. E a presença constante das falácias e a fragilidade dos ativistas em relação ao Continente Africano, demonstradas em reuniões, assembléias, congresso e etc, me mostraram uma enorme necessidade de saber sobre a veracidade e o conhecimento histórico real do Continente Africano.

AC: Cite algum ponto de conteúdo que foi importante para você nesse processo?

LC: Verdadeiramente eu renasci em todos os aspectos ligados ao africanismo, minha linha de pensamento está inserida numa vertente de realidade palpável, lógica e tenho certeza que a minha discordância com a persistência do pedido de reparação dos movimentos negros, tinha e tem fundamento.

AC: Que autor lhe chamou a atenção durante o curso?

LC: Marco Aurélio Luz.

AC: Qual é o tema de sua monografia?

LC: “Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo de Pierre Fatumbi Verger”. Pretendo fazer uma resenha-roteiro desse livro.

AC: O que você poderia nos dizer sobre a sua experiência de aprendizado durante o curso?

LC: O curso é uma referência de qualidade indiscutível, um somatório de informações, relações e conjunturas. O corpo docente é constituído de mestres e doutores polidos de uma didática espetacular.

AC: Que conselho você daria àqueles que estão demonstrando interesse por esse curso?

LC: Ingressar com convicção, porque essa Pós-Graduação é um curso de excelência em Estudos Africanos.

As matrículas para o curso de Pós-Graduação em Estudos Africanos Desenvolvimento Humano e Docência estão abertas. O curso tem duas modalidades de horário: Uma modalidade com duração de 13 meses e acontece, semanalmente, terças-feiras e quartas-feiras. Na outra modalidade o curso tem duração de 18 meses e acontece, quinzenalmente aos sábados. Para novos alunos há uma bolsa de 50%.

Não deixe de nos procurar pelo telefone (21) 2278-3975 e africa.consultingltda@gmail.com e ligue também para a Secretaria de Pós-Graduação: (21) 2221-9221 a partir de 15 horas. Acesse o site da Africa Consulting e veja a grade curricular.

 

 

GUARINI AMANI 2013: ACONTECEU!

No dia 15 de junho de 2013, na cidade do Rio de Janeiro, aconteceu o esperado Workshop Guarini Amani para capacitação interdisciplinar.  

O evento, realizado pela Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais e Global Logística e Empreendimentos, teve o apoio da Editora FTD, Selo Negro Edições, do Portal Olhar Indígena.

Foi um sucesso! Com um conteúdo sobre a implementação das Leis n°s 10.639/03 e 11.645/08 e temas como História da África, cultura africana, cultura indígena, cultura afro-brasileira, o programa capacitou profissionalmente cerca de 25 participantes brasileiros e angolanos, além de criar oportunidades de networking e troca de experiências entre os alunos.

Africa Consulting e Global Logística investindo em capacitação internacional: mais uma de suas áreas de atuação. Confira as fotos do evento:

 

Banner do Evento

 

 

Profª. Rita Barros, Diretora da Africa Consulting, realizou a capacitação

 

 

Participantes, entre eles, o Sociólogo Angolano Armindo Feliciano.

 

 

Participantes. À direita o jornalista Moisés Alcunha.

 

 

Sr. Fabrício Nery, Diretor da Global Logística, coordenando a logística pedagógica do evento.

 

 

Vista parcial. Ao fundo à direita, Sra. Priscila Silva da Editora FTD.

 

 

Entre o material pedagógico, vários documentários.

 

 

Momento de interação no coffee-break.

 

 

Interação entre os participantes no coffee-break.

 

 

Apresentação do livro Nós do Brasil, pelo antropólogo Marcelino Conti.

 

 

Sorteio de kit com obras literárias concedidas pelos parceiros Selo Negro, FTD, Paulinas.

 

 

Sra. Maria Imaculada Fleury, Psicóloga e Gerente Administrativa da Oásis RH.

 

 

Sra. Ana Laura, estudante do curso de pós-graduação em Estudos Africanos dirigido pela Africa Consulting.

 

 

Oficina de contos africanos com a Profª. Alessandra Mourão.

 

 

Oficina de contos africanos.

 

 

Alunos interagindo na oficina de contos africanos.

 

 

Mais um sorteio de kits literários.

 

 

Ao final da oficina de contos africanos, sorteio de kit literário.

 

 

Oficina de música com as professoras Maria da Graça, Georgina de Jesus e Maria de Lourdes.

 

 

Entrega de certificados, com a Sra. Shizuka Kishi pesquisadora do Consulado do Japão no Rio.

 

 

Sr. Fabrício Nery e Profª. Rita Barros com a turma Guarini Amani 2013!

 

Acesse o site e conheça mais sobre nossos cursos e serviços: http://africaconsulting.wix.com/africaconsultingltda

 

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UBUNTU – SER COM O OUTRO: DIA DA ÁFRICA!

“O homem não nasce “eu”, ele nasce “nós”. Quando cheguei, estava nas mãos deles; quando partir será também nas mãos deles”.

 

 

Imagem Silvia Cosimini - Criança Himba

 

 

 

 

 

 

Em 25 de maio de 1963, trinta Estados Africanos independentes fundaram a Organização da Unidade Africana (OUA) em Addis Abeba, capital da Etiópia. Em 2011 passou a ser chamada de União Africana. O objetivo principal dessa organização era “promover a unidade do continente, defender a soberania e a integridade territorial dos seus membros”. Em 1972 a Organização das Nações Unidas reconheceu a relevância dessa Instituição e decretou o dia 25 de maio como o Dia da África, simbolizando a luta dos povos do continente africano pela sua independência.

o somente a data, mas a minha experiência vivendo no continente africano e me relacionando com as pessoas ao meu redor, me inspira a postar no blog nesse momento. Primeiro para deixar a homenagem da Africa Consulting ao povo que vive nessa parte do planeta e àqueles que estão, em estado de diáspora, longe de suas casas e famílias. E começo deixando aqui o meu abraço aos amigos da Africa Consulting que partilham dos nossos sonhos e utopias. Com esses eu também aprendo muito. Este será um post breve. Apenas algumas reflexões:

 

O caminho para a convivência entre as pessoas, quaisquer pessoas, é o diálogo e o respeito mútuo. Falar sobre alguém é algo muito comum e bastante falho. Há muito tempo a prática de falar sobre a África vem gerando um conhecimento equivocado sobre a história desse continente e sobre as pessoas que nele nasceram e vivem. 

 

Quando vou ao encontro do outro para, tão somente, falar sobre ele, não estou indo ao seu encontro, estou indo de encontro a ele. Porém, quando meus passos realizam o desejo de experimentar o diálogo, vou para falar com e não para falar sobre. Simples assim. Já chega de falarmos sobre as pessoas que moram no continente africano e sobre as coisas que fazem ou deixaram de fazer. Concordo com o Prof. Ki-Zerbo que nos ensinou que “Em primeiro lugar, tudo está longe de ser negativo em África: há uma vontade feroz de viver, de viver na alegria e na solidariedade com os mais fracos, o que é um seguro de vida para todo o continente”. Disso eu sou testemunha ocular.   

 

Outro aprendizado importante que venho tendo trata da compreensão de que o desenvolvimento supõe uma mudança pessoal e coletiva nos espaços de relacionamento que resulta em positividade para todos. E, mais, o desenvolvimento deve ser uma experiência que faz com que a pessoa seja melhor do jeito que ela quer ser e não transformando a pessoa naquilo que ela não é. Não nos esqueçamos do perigo da “pele negra, máscaras brancas”. Se alguém for vitima sofredora do desenvolvimento, certamente algo está muito errado. Por isso aproveito para citar Musa Soro quando falava sobre o Prof. Ki-Zerbo: “Se o professor Joseph Ki-Zerbo se lançou nos estudos de história, é realmente porque, para ele, o estudo da história é a primeira coisa a fazer-se para devolver à África a sua identidade perdida e a sua dignidade ultrajada”.

 

E, por terceiro, reflito sobre aprender melhor a respeito das práticas da cooperação internacional. Tratar a cooperação como sinônimo do antigo termo “ajuda humanitária” parece um equivoco. Acaso o outro que “necessita” de ajuda humanitária não é humano? Temos que repensar sobre o sentido de ajuda porque a história já revelou bons desastres provocados ao continente africano e aos seus povos. Cooperação é parceria na responsabilidade conjunta com os outros, integrados, sujeitos ativos, autônomos para uma ação que possa gerar trabalho e renda e, não somente acúmulo unilateral de riquezas.

 

Por fim, reproduzo aqui, uma pequena parte do discurso de posse de Nelson Mandela quando foi eleito presidente da África do Sul que resume meus sentimentos nessa hora: 

 

“Nosso medo mais profundo não é o de que sejamos incapazes. Nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos além da conta. É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora. Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser Brilhante, Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso? Na realidade, quem é você para não ser tudo isso? Você é filho de Deus. Se fazer pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de iluminado em se encolher para que os outros não se sintam inseguros ao seu lado. Nascemos para brilhar como as crianças o fazem. Nascemos todos para manifestar a glória do universo que está dentro de nós. Não está apenas em alguns de nós: mas em todos nós. E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo. E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, liberta os outros."  (Nelson Mandela - discurso de posse da presidência da África do Sul, 1994)  

 

Saudações a todos que comemoram o Dia da África!

 

Sempre estaremos esperando seu comentário e sua participação.

Forte abraço!  

 

Profª Rita Barros

(Diretora da Africa Consulting Desenvolvimento Humano e Relações Internacionais).

 

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